CNI alerta que fim da escala 6×1 pode custar até R$ 267 bilhões por ano

(Foto: Reprodução)

Com possibilidade de ser pautado no Congresso Nacional ainda neste ano, o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 preocupa uma parcela significativa dos empresários brasileiros. A Confederação Nacional da Indústria divulgou, nesta segunda-feira (23), que a redução da jornada de trabalho pode aumentar os custos anuais com empregos formais entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano.

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De acordo com a CNI, esse salto equivale a um acréscimo de 7% na folha de pagamentos, impactando no custo unitário do trabalho e, consequentemente, na queda da produção e de empregos.

“Esses dados, combinados com as análises que estamos fazendo sobre o tema, mostram que o mais provável é que a produção seja reduzida e o custo unitário do trabalho aumente, trazendo pressão de custos e perda de competitividade das empresas nacionais. Essa dinâmica provoca queda da produção, do emprego e da renda e, consequentemente, do PIB brasileiro”, explicou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Para o levantamento, a entidade considerou dois cenários para o setor industrial:
  • Contratação de novos trabalhadores: + R$ 58,5 bilhões em despesas
  • Horas extras para os atuais trabalhadores: + 87,8 bilhões em despesas

A entidade também argumentou que, para manter o atual número de horas de produção, 21 de 32 setores industriais terão custos acima da média. Veja os exemplos:

  • Indústria da transformação: de 7,7% a 11,6%
  • Indústria da construção: de 8,8% a 13,2%
  • Comércio: entre 8,8% e 12,7%
  • Agropecuária: 7,7% e 13,5%

Empresas de pequeno porte

Considerando as proporções de trabalhadores, as micro e pequenas empresas, segundo a CNI, seriam as mais impactadas com a mudança.

“A dificuldade de adaptação para micro e pequenas empresas, que correspondem a 52% do emprego formal do país, mas que não dispõem de recursos ou estrutura física para ampliar equipes, será ainda maior. Como resultado, essas indústrias tendem a reduzir a produção, perder a competitividade e comprometer os postos de trabalho”, pontou Ricardo Alban, da CNI.

Para Alban, a redução da jornada de trabalho deve ser discutida de forma mais cautelosa, considerando os riscos e os impactos na economia brasileira.

“Qualquer mudança na legislação trabalhista deve considerar a diversidade de realidades produtivas do país, os efeitos sobre os setores econômicos e empresas de diferentes portes, além das disparidades regionais e do impacto sobre a competitividade e a criação de empregos formais”, conclui o presidente.

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