Após conversas com membros do STF, Fachin emite nota em defesa de Toffoli

Após conversas com membros do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, divulgou nota pública em defesa do ministro Dias Toffoli, relator das investigações envolvendo o Banco Master. A manifestação ocorreu em meio à pressão interna para que a presidência se posicionasse diante do desgaste institucional provocado pela crise.

Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a decisão de Fachin foi precedida por uma rodada de conversas com colegas do tribunal, que avaliaram como essencial uma resposta institucional para demonstrar unidade e o chamado “espírito de corpo” do STF, especialmente diante das críticas direcionadas a Toffoli.

Relatos indicam que Fachin enfrentava um impasse sobre como se posicionar publicamente sem acirrar divisões internas. Havia preocupação de que uma postura mais incisiva, sobretudo no debate sobre a implementação de um código de conduta no Supremo, pudesse ser interpretada como provocação a outros ministros e resultar em isolamento político dentro da Corte.

Ao menos três ministros, conforme interlocutores, defendem que a discussão sobre diretrizes éticas seja temporariamente suspensa até que o ambiente interno esteja menos tensionado. Para esse grupo, insistir no tema em um momento sensível poderia reforçar críticas externas ao tribunal, especialmente de setores ligados ao bolsonarismo.
Siga o canal do WSCOM no Whatsapp.

Diante desse cenário, a orientação repassada a Fachin foi para priorizar uma manifestação de apoio institucional a Toffoli, deixando o debate sobre o código de conduta em segundo plano. A recomendação ganhou força após a Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivar a representação que pedia o afastamento de Toffoli da relatoria do caso.

Na nota divulgada na noite de quinta-feira (22), Fachin afirmou que Toffoli exerce “a regular supervisão judicial” das investigações sobre fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. O presidente do STF reconheceu a legitimidade das críticas no ambiente democrático, mas ressaltou que o tribunal “não se curva a ameaças ou intimidações”.

O texto não fez referência direta ao código de ética. Fachin optou por uma abordagem mais ampla, afirmando que “todas as instituições podem e devem ser aperfeiçoadas, mas jamais destruídas”, em uma tentativa de equilibrar a defesa institucional com cautela política.

Interlocutores afirmam que a nota foi construída a partir de sugestões de outros ministros e buscou sintetizar diferentes visões existentes dentro da Corte, com o objetivo de reduzir ruídos internos e sinalizar coesão em um momento de forte exposição pública do Supremo.

A manifestação ocorre em meio a alegações de suspeição contra Toffoli e a discussões internas sobre a possibilidade de remeter o caso à primeira instância. Para parte dos ministros, essa seria uma “saída honrosa”, já que, até o momento, não há indícios de envolvimento de autoridades com foro privilegiado.

Nesse entendimento, o envio do processo ao primeiro grau retiraria o STF do centro da crise, preservando os atos já praticados pelo relator. Toffoli, por sua vez, tem afirmado a auxiliares que sua imparcialidade não está em questão e que os próximos passos da investigação, como os depoimentos previstos para a próxima semana, poderão fornecer elementos para eventual envio do caso à primeira instância.

Mais Posts

Tem certeza de que deseja desbloquear esta publicação?
Desbloquear esquerda : 0
Tem certeza de que deseja cancelar a assinatura?
Controle sua privacidade
Nosso site utiliza cookies para melhorar a navegação. Política de PrivacidadeTermos de Uso
Ir para o conteúdo