O Governo Federal deu início a uma complexa rodada de negociações diplomáticas com Pequim para tentar reverter a taxação imposta pela China à carne brasileira. A medida, vista como uma prioridade para o Ministério da Agricultura (MAPA) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), visa aliviar a pressão sobre os frigoríficos nacionais e garantir a competitividade do Brasil no seu principal mercado de exportação de proteína animal.
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A imposição de taxas, que variam de acordo com o tipo de corte e as exigências sanitárias recentes, gerou apreensão no agronegócio brasileiro. A China é, isoladamente, o maior comprador de carne bovina e de frango do país. Analistas do setor apontam que a manutenção dessas tarifas pode reduzir as margens de lucro dos produtores e forçar um redirecionamento de carga para mercados menos rentáveis, o que impactaria diretamente a balança comercial brasileira.
A estratégia do governo Lula é utilizar os canais da Parceria Estratégica Global para demonstrar que a produção nacional cumpre com todos os protocolos de sustentabilidade e sanidade exigidos internacionalmente.
O Brasil pretende argumentar que a taxação é desproporcional e que a oferta brasileira é fundamental para a segurança alimentar da população chinesa, especialmente em um momento de flutuação nos preços globais de alimentos.
A interlocução está sendo conduzida por uma força-tarefa que envolve o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. O governo brasileiro aposta no bom relacionamento político entre Lula e Xi Jinping para abrir um canal de diálogo técnico.
Entre os pontos que serão colocados na mesa de negociação, destacam-se:
- Protocolos Sanitários: Aceleração na habilitação de novas plantas frigoríficas.
- Redução de Tarifas: Discussão sobre a retirada de sobretaxas antidumping que afetam cortes específicos.
- Cooperação Tecnológica: Oferta de intercâmbio em tecnologias de produção sustentável como contrapartida à flexibilização comercial.
A expectativa do Ministério da Fazenda é que uma negociação bem-sucedida estabilize o setor exportador sem gerar pressão inflacionária nos preços domésticos. O equilíbrio entre atender à demanda externa chinesa e manter o abastecimento do mercado interno é um dos pilares da política econômica atual.
Se o governo conseguir reduzir as barreiras chinesas, o impacto positivo poderá ser sentido já no primeiro semestre de 2026, com o aumento do fluxo de divisas e o fortalecimento das ações das principais empresas do setor de proteína animal na bolsa de valores.

