Trump anuncia “guerra econômica” contra o Irã e ameaça países que apoiarem o país

Presidente dos Estados Unidos afirma que pretende ampliar o isolamento econômico iraniano, mas não detalha quais medidas serão adotadas nem como pretende punir nações que mantiverem relações com Teerã

Presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington - 06/01/2026
Presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington - 06/01/2026. (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (19) uma nova ofensiva econômica contra o Irã e declarou que pretende ampliar o isolamento do país. Em publicação na Truth Social, o republicano afirmou que será implementada uma das medidas econômicas mais severas já adotadas contra uma nação.

Trump também advertiu que países que oferecerem apoio financeiro, comercial ou institucional ao Irã poderão sofrer fortes consequências econômicas.

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Segundo o presidente norte-americano, operações como contrabando de petróleo, transferências financeiras, linhas de swap, atuação de casas de câmbio, registros de embarcações e utilização de empresas de fachada deverão ser interrompidas.

Apesar das ameaças, Trump não explicou quais mecanismos serão utilizados para colocar a ofensiva em prática nem especificou quais punições poderão ser aplicadas aos países que continuarem negociando com o Irã.

O presidente norte-americano também pediu que os aliados dos Estados Unidos participem dos esforços para isolar o Irã, classificando o país como uma ameaça que precisa ser combatida.

Medida ocorre após fracasso de negociações

Trump afirmou que a decisão está relacionada ao impasse nas negociações entre Washington e Teerã sobre o programa nuclear iraniano. Os dois países haviam iniciado conversas no começo do ano com o objetivo de chegar a um acordo, mas as tratativas não avançaram e foram seguidas pelo início de um conflito.

Na avaliação de Trump, a nova estratégia pretende pressionar a economia iraniana e aumentar o isolamento internacional do país.

Irã já enfrenta sanções

A efetividade da nova ofensiva ainda é questionada, já que o Irã está submetido a diversas sanções internacionais que dificultam suas relações comerciais.

Em janeiro, Trump já havia anunciado uma tarifa de 25% sobre países que mantivessem negócios com o Irã. Mesmo diante das restrições, o país continua mantendo relações comerciais com diferentes nações, especialmente por ser um importante produtor de petróleo.

Dados do Banco Mundial apontam que o Irã exportou produtos para 147 países somente em 2022.

China é principal parceiro comercial

A China ocupa atualmente a posição de principal parceiro comercial do Irã. Em 2022, as exportações iranianas para o mercado chinês chegaram a US$ 22 bilhões, enquanto as importações provenientes do país asiático alcançaram US$ 15 bilhões.

A Índia aparece em seguida. Nos dez primeiros meses de 2025, o comércio entre os dois países movimentou US$ 1,34 bilhão. Entre os produtos indianos vendidos ao Irã estão arroz, frutas, verduras, medicamentos e outros produtos farmacêuticos.

Alemanha, Coreia do Sul e Japão também estão entre os parceiros comerciais relevantes do Irã. Os três países, entretanto, são aliados dos Estados Unidos.

Relação comercial entre Brasil e Irã

O Irã não está entre os 20 maiores parceiros comerciais do Brasil, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Ainda assim, o país está entre os principais destinos das exportações brasileiras no Oriente Médio.

Em 2025, o Brasil importou US$ 84,5 milhões em produtos iranianos, principalmente ureia, pistache e uvas secas. No sentido contrário, as exportações brasileiras para o Irã totalizaram US$ 2,9 bilhões, com milho, soja e açúcar entre os principais produtos comercializados.

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