Dedicado a pesquisar o período da ditadura militar em que o país mergulhou a partir do golpe de 1964, pude publicar dois livros sobre o tema: 1968 – O Grito de uma Geração, lançado em 2013 pela Editora da UEPB, e Eu Vivi a Ditadura Militar, publicado pela A União, no final de 2024. Meu objetivo sempre foi contribuir para que acontecimentos tão importantes da nossa história não caiam no esquecimento.
A literatura sobre o período continua provocando interpretações e polêmicas. Os chamados “anos de chumbo” permanecem como objeto de estudos e debates. Por isso, é fundamental preservar a memória daquela época, para que as gerações contemporâneas e futuras conheçam os acontecimentos que marcaram a história brasileira.
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Na sequência desse trabalho, venho reunindo informações sobre o período pós-ditadura, desde a eleição e a morte do presidente Tancredo Neves até a promulgação da Constituição de 1988. Pretendo abordar o que podemos chamar de “transição negociada” para a democracia. Foi com esse propósito que, no último fim de semana, assisti ao documentário O Paciente – O Caso Tancredo Neves, dirigido por Sérgio Rezende, em 2018.
Baseado no livro homônimo do historiador Luis Mir, o filme resgata um episódio que marcou profundamente a redemocratização brasileira. A produção acompanha os últimos 38 dias de vida do primeiro presidente civil eleito após a ditadura, concentrando-se na angústia política que tomou conta do país e nos bastidores médicos de sua internação.
A narrativa começa dois dias antes da posse, quando o primeiro presidente civil eleito por um colégio eleitoral apresentou sintomas de febre e mal-estar, e se estende até o anúncio de sua morte pelo porta-voz Antônio Britto. Durante esse período, hospitais, consultórios e corredores transformaram-se em espaços de tensão, enquanto a população aguardava, ansiosamente, os boletins médicos. Cada informação divulgada tinha enorme repercussão política e alimentava a esperança de que Tancredo pudesse assumir a Presidência.
O filme revela as divergências, as hesitações e as incertezas que cercaram os diagnósticos, os exames e as decisões sobre o tratamento. Tancredo procurava manter o controle da situação, inclusive porque havia o temor de que sua ausência na posse pudesse criar dificuldades para a transmissão do poder ao vice-presidente eleito, José Sarney. À medida que os dias passavam, porém, seu estado de saúde se agravava, reduzindo sua capacidade de participar das decisões que envolviam o próprio tratamento.
O Paciente – O Caso Tancredo Neves é um filme importante para quem deseja compreender melhor um dos momentos mais delicados da história brasileira. O país estava às vésperas de concluir o longo processo de restauração democrática, e Tancredo Neves, figura central dessa transição, sonhava em conduzi-lo como chefe de Estado. Não conseguiu realizar esse sonho.
A produção nos lembra que, naqueles dias dramáticos, o futuro da Presidência da República e, em certa medida, os rumos da redemocratização brasileira, dependiam de decisões tomadas em quartos hospitalares.
Tancredo foi protagonista de um dos episódios mais dramáticos da história política brasileira. Sua trajetória, marcada na luta pela democracia e encerrada por uma doença inesperada, teve um desfecho trágico, digno das grandes histórias do cinema e da própria história do Brasil.
