O Palácio do Planalto deflagrou uma operação de emergência nesta quinta-feira (11) para tentar conter o avanço de uma agenda legislativa de alto impacto fiscal na Câmara dos Deputados. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, procurou o presidente da Casa, o paraibano Hugo Motta (Republicanos-PB), na tentativa de congelar a tramitação do projeto de renegociação de dívidas rurais, recém-aprovado no Senado, cujo custo estimado aos cofres públicos é de R$ 140 bilhões ao longo de dez anos.
A investida governista ocorre na esteira de uma dura derrota sofrida pelo Executivo no Senado Federal. Na conversa com Motta, Guimarães transmitiu a profunda contrariedade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o resultado e, principalmente, com o comportamento de senadores de partidos da própria base aliada, que articularam ativamente a favor da proposta ruralista.
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Cúpula quer reunião com Hugo
Para tentar frear o texto na Câmara, o ministro das Relações Institucionais propôs uma reunião presencial de emergência entre Hugo Motta e a junta de execução orçamentária do governo, que incluiria os ministros secretários-executivos Dário Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento). O objetivo do Planalto é apresentar relatórios técnicos detalhados e demonstrar os riscos severos que a matéria impõe ao arcabouço fiscal e às metas de equilíbrio das contas públicas.
Do outro lado do balcão, Hugo Motta relatou a líderes partidários que se encontra no centro de um cabo de guerra. Se por um lado o Governo Federal exige responsabilidade com o Orçamento, por outro, a influente Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) exerce forte pressão para que o texto seja pautado e votado com celeridade. Motta, contudo, tem sinalizado nos bastidores que manterá uma condução ponderada, evitando endossar medidas classificadas como “irresponsáveis”.
Três ameaças ao Orçamento
A preocupação da equipe econômica vai além do perdão aos produtores rurais. O Ministério da Fazenda monitora um pacote de propostas que ganharam tração no Senado e que, somadas, podem gerar um rombo bilionário caso passem pelo crivo dos deputados federais.
| Proposta em Tramitação | Origem / Situação no Senado | Impacto Fiscal Estimado |
| Renegociação de Dívidas Rurais | Aprovado no Plenário do Senado | R$ 140 bilhões (em 10 anos) |
| Aposentadoria de Agentes de Saúde | Aprovado na CCJ do Senado | R$ 99 bilhões (em 10 anos) |
| Novo Piso de Médicos e Dentistas | Aprovado na CAS (Caráter Terminativo) | R$ 47 bilhões (imediato/anual) |
A última matéria da lista, que eleva o piso salarial nacional de médicos e cirurgiões-dentistas de R$ 3.636 para R$ 13.662 (para jornadas de 20 horas semanais), foi chancelada nesta quarta-feira na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) em caráter terminativo. Se não houver recurso para votação no plenário do Senado, o texto carimba o passaporte direto para as mãos de Hugo Motta.
Diante do cenário adverso no parlamento, a interlocução com o deputado paraibano passou a ser tratada como a “linha de defesa” vital do Planalto. Como chefe do Legislativo, cabe exclusivamente a Motta ditar o ritmo das comissões, escolher relatores e decidir o que — e quando — vai à votação no plenário da Câmara.
