Alta da agropecuária pode impulsionar PIB da Paraíba, avalia economista

Com avanço de 13,1% no IBC-Br nacional, setor rural ganha protagonismo e ajuda a sustentar economia mesmo com juros elevados

Foto: RafaPress/Gettyimages

O avanço de 13,1% da agropecuária no acumulado do ano, apontado pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), pode ter reflexos diretos na economia da Paraíba. A avaliação é do economista Francisco José de Barros, que destaca o peso do setor rural no desempenho regional, especialmente em um cenário de juros elevados.

Segundo dados do Banco Central do Brasil, a agropecuária foi o principal destaque do indicador em 2025, impulsionada por safra recorde de grãos no país. Para Francisco, embora a estrutura produtiva da Paraíba seja diferente de grandes polos agrícolas, o setor tem relevância estratégica no estado.

“A agropecuária tem impacto importante no PIB paraibano, principalmente em determinadas regiões do estado. Quando há crescimento expressivo no campo, isso se espalha para outros setores, como comércio e serviços”, explica.

Ritmo local pode variar

Questionado se a agropecuária paraibana cresceu no mesmo ritmo do cenário nacional, Francisco afirma que o desempenho estadual depende de fatores climáticos e estruturais. “A Paraíba não tem a mesma escala de produção de estados do Centro-Oeste, por exemplo. O crescimento pode não atingir dois dígitos como no cenário nacional, mas ainda assim pode ser significativo para a economia local”, afirma.

Entre os produtos que mais contribuíram recentemente para a economia rural do estado, ele destaca culturas tradicionais adaptadas ao semiárido, além da produção de cana-de-açúcar e atividades da pecuária. “O setor sucroenergético e a pecuária têm papel relevante, assim como culturas regionais que abastecem o mercado interno”, observa.

Safra e juros

Sobre o desempenho da safra atual, o economista avalia que, em diversas regiões do estado, houve melhora em relação ao ciclo anterior, favorecida por condições climáticas mais estáveis em comparação a períodos de estiagem mais severa. “Quando a safra é melhor, há aumento de renda no campo e isso dinamiza a economia regional”, destaca.

Francisco também aponta que o crescimento da produção rural ajuda a amenizar os efeitos dos juros elevados, atualmente em 15% ao ano. “Os juros altos tendem a frear consumo e investimento, mas um bom desempenho do agro gera renda, emprego e circulação de recursos. Isso funciona como um amortecedor parcial dos efeitos da política monetária restritiva”, explica.

Para ele, embora o setor de serviços ainda tenha grande peso no PIB da Paraíba, o agro continua sendo um motor importante, sobretudo no interior. “O campo pode não ser o maior componente da economia estadual, mas tem capacidade de sustentar ciclos de crescimento e reduzir impactos negativos em momentos de desaceleração”, conclui.

 

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