A advogada Dayane Carvalho subiu o tom contra o que chamou de “discurso cuidadosamente construído” pela família de João Lima. Segundo a defesa de Raphaella Brilhante, as manifestações públicas de arrependimento e os pedidos de perdão feitos pelo cantor e por seu pai, o deputado estadual Cicinho Lima (PL), não passam de manobras para gerenciar a crise de imagem e evitar o cancelamento social.
Dayane detalhou que a família da vítima esperava uma retratação verdadeira, direta e pessoal, mas o que recebeu foi o isolamento digital. A advogada denunciou que a mãe de Raphaella foi removida de contatos e que todas as vias de comunicação com a vítima foram cortadas. “Perdão que não chega à vítima não é perdão. Retratação que exclui quem sofreu não é humanidade”, disparou Carvalho, argumentando que o respeito não chegou a quem teve o corpo e a alma dilacerados pelas agressões.
Para a defesa, a dor de Raphaella está sendo usada como “cenário” e “palco” para que o agressor tente ser reconhecido por uma suposta responsabilidade que não exerce na prática. Dayane Carvalho reiterou que a violência não acaba quando o agressor se cala, mas que a reparação só começa quando a vítima é colocada no centro do processo, ouvida e respeitada. Enquanto esse acolhimento direto não ocorrer, a defesa afirma que nenhum pedido de desculpas será considerado legítimo.
“Quando o perdão é transformado em espetáculo, ele perde a sua essência. O verdadeiro arrependimento exigiria reconhecer o dano diretamente à pessoa ferida. Ao optar pelo discurso público enquanto mantém a vítima bloqueada de todas as formas, a mensagem que se passa é que a preocupação não é com a vida que foi destruída, mas sim com a carreira e o impacto político que o crime gerou,” concluiu.
O posicionamento da advogada ecoou fortemente nas redes sociais, onde a rede de apoio a Raphaella Brilhante continua a crescer. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, com João Lima cumprindo prisão preventiva no Presídio do Róger. A Polícia Civil analisa os vídeos de monitoramento que corroboram a versão da médica, enquanto a sociedade paraibana acompanha o desenrolar de um dos casos de violência doméstica de maior impacto no estado nos últimos tempos.