Quatro cursos de Medicina de faculdades privadas com atuação na Paraíba ficaram com nota 2, considerada insatisfatória, no Enamed 2025, conforme análise divulgada pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Ministério da Saúde (MS) nesta segunda-feira (19). As instituições passam a integrar o grupo de cursos sujeitos a processo de supervisão conduzido pela Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres), com medidas que podem incluir redução de vagas, restrições ao Fies e proibição de ampliar a oferta.
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Na Paraíba, os cursos com nota insatisfatória (2) foram:
- Unipê (João Pessoa), nota 2
- Unifacisa (Campina Grande), nota 2
- Famene (João Pessoa), nota 2
- Afya (João Pessoa), nota 2
Entre as avaliações satisfatórias, aparecem:
- Universidade Federal da Paraíba (UFPB), nota 4
- Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Campus Cajazeiras, nota 4
- Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Campus Campina Grande, nota 4
- UNIFIP (Patos), nota 3
- Unifsm (Cajazeiras), nota 3
De acordo com o balanço divulgado, 204 dos 304 cursos de Medicina do Sistema Federal de Ensino avaliados no exame obtiveram conceitos 3 a 5, considerados satisfatórios. Outros 99 ficaram nas faixas 1 e 2, equivalentes a desempenho inferior ao patamar esperado, e seguem para supervisão. O levantamento também apontou que mais de 80% dos cursos de Medicina no país são ofertados por instituições privadas e defendeu que instituições que cobram mensalidades precisam sustentar padrões de qualidade.
O Inep informou que o Enamed avaliou 89.024 estudantes e profissionais, com 75% de desempenho proficiente. Entre os 39.258 concluintes, 67% atingiram proficiência. No público geral, que inclui médicos formados inscritos no Enare, o índice foi de 81% entre 49.766 participantes. Os resultados individuais do Enamed foram divulgados em 12 de dezembro, e a nota final do Enare tem divulgação prevista para esta quarta-feira (21).
No processo de supervisão, as medidas variam conforme o percentual de concluintes proficientes, com possibilidade de suspensão de ingresso, reduções de vagas e bloqueios como vedação de aumento de oferta e suspensão de participação no Fies e em outros programas federais, nos casos mais graves. A Seres deve notificar as instituições, que podem se manifestar e apresentar defesa em prazo administrativo.
Antes da divulgação dos resultados, uma entidade que representa universidades particulares acionou a Justiça para tentar barrar a publicação, mas não obteve êxito. A Unifacisa declarou que entrou em contato com os “órgãos responsáveis” e que “foi informada de que o Ministério da Educação está realizando uma revisão dos dados divulgados”. A instituição afirmou ainda que “mais de 70% dos estudantes atingiram a proficiência na prova, o que corresponde ao conceito 3” e que “a instituição tem convicção de que os dados serão devidamente retificados”. As demais não responderam até a última atualização.