Em 2025, João Pessoa registrou uma expansão do consumo com potencial estimado em R$ 34,18 bilhões, segundo a pesquisa IPC Maps 2025. O avanço do consumo ocorre em um contexto de inflação ainda elevada no país e de mudanças no perfil econômico da capital, especialmente nos setores de serviços, habitação e alimentação fora do domicílio.
No cenário nacional, a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 5,53% em 12 meses até abril de 2025. Em João Pessoa, embora a capital mantenha uma das cestas básicas mais baratas entre as capitais brasileiras, o valor chegou a R$ 641,57 em abril de 2025, com variação acumulada de 4,36% em 12 meses, conforme levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Pressão de demanda e mudança no perfil da cidade
Para o economista Acilino Alberto Madeira Neto, ex-conselheiro do Corecon-PB e membro da Academia Paraibana de Ciência Econômica, o aumento do custo de vida em João Pessoa está associado ao crescimento da demanda e à chegada de novos moradores à capital.
“As pesquisas, que têm sido feitas tanto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como alguns estudos feitos também pelo Instituto Pela Educação de Resultados (IPER), têm demonstrado que nos últimos anos, o custo de vida em João Pessoa tem aumentado”, disse o economista.
Segundo ele, o movimento está ligado à mudança do perfil populacional da cidade. “João Pessoa não é mais aquela capital isolada. Isso por conta de uma propaganda massiva e também por causa de outros fatores, como o mercado imobiliário que começou a atrair muita gente do sudeste”, ressaltou.
O economista destaca ainda o efeito da chamada inflação por demanda. “É muita gente vindo e alugando imóveis, isso fez com que o custo de vida de João Pessoa aumentasse, por conta da quantidade de pessoas que vieram à procura da cidade”, informou.

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Serviços e alimentação fora do domicílio
Acilino explica que os preços de serviços tendem a reagir mais rapidamente à demanda do que a inflação geral. “Porque esses preços, eles seguem muito a questão da inflação por demanda, os preços sobem mais porque tem uma demanda maior, os bares recebem mais gente, principalmente no verão”, explicou.
Na percepção do empresário Leonardo Araújo Guedes, que atua no setor criativo da cidade, a mudança é visível principalmente no perfil dos estabelecimentos. “Eu acredito que houve um aumento de novos estabelecimentos. Acho que João Pessoa antes não tinha uma diversidade de restaurantes e de bares de alto padrão como tem hoje”, refletiu.
Habitação concentra maior impacto
A valorização imobiliária aparece como um dos principais fatores de pressão no custo de vida local. Leonardo relata a dificuldade crescente de acesso à moradia. Para ele, o fenômeno tem relação direta com a gentrificação da cidade. “O que João Pessoa passa, na minha visão, é um processo de gentrificação. Temos um boom de turistas e de investidores aqui comprando flat para alugar para Airbnb”, declarou o empresário.
Acilino também associa o movimento ao crescimento das locações por temporada. “O Airbnb e o aluguel por temporada fez com que houvesse um novo nicho. E houve, portanto, uma valorização dos aluguéis, tanto dos convencionais como dos por temporada”, afirmou.
Na avaliação do economista, a cidade deixou de ocupar o posto de capital de baixo custo no Nordeste. “João Pessoa deixou de ser uma capital barata quando comparado a outras capitais nordestinas”, disse.