Delcy Eloína Rodríguez Gómez assume a Presidência da Venezuela trazendo consigo uma trajetória marcada por forte inserção no núcleo do chavismo e longa atuação nos principais postos de comando do Estado venezuelano. Considerada uma das figuras mais influentes da chamada Revolução Bolivariana, iniciada em 1999 com Hugo Chávez, a nova chefe de Estado consolidou sua carreira política ao lado do irmão, Jorge Rodríguez, atual presidente da Assembleia Nacional e ex-vice-presidente do país.
A trajetória de Delcy é reconhecida por especialistas como uma das mais sólidas dentro do governo venezuelano. Para a professora Carla Ferreira, do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que pesquisou a história política e social da Venezuela, Delcy integra o chamado “núcleo duro” do chavismo e sempre ocupou posições estratégicas nos momentos mais críticos do processo bolivariano.
“Estamos diante de um quadro político e teórico do mais alto gabarito”, avalia a pesquisadora, destacando sua formação acadêmica na principal universidade venezuelana e em instituições europeias. Segundo Carla, Delcy e Jorge Rodríguez estiveram à frente de embates decisivos enfrentados pelo país nos últimos 25 anos, o que reforça sua experiência e liderança dentro do projeto político governista.
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A nova presidente carrega também um legado familiar marcado pela militância de esquerda. Filha de Jorge Antonio Rodríguez, militante marxista morto sob custódia do Estado em 1976, durante o regime político conhecido como Pacto de Punto Fijo, Delcy cresceu em um ambiente permeado por disputas ideológicas e resistência política. Esse contexto, aponta a professora, moldou sua visão de mundo e seu compromisso histórico com o campo revolucionário venezuelano.
Ao longo de sua carreira, Delcy Rodríguez acumulou funções estratégicas nos governos de Chávez e Nicolás Maduro. Em 2006, atuou como chefe de gabinete do presidente Chávez. Já em 2013, recuperou espaço no alto escalão ao assumir o Ministério da Comunicação e Informação, passando, em seguida, ao comando do Ministério das Relações Exteriores, entre 2014 e 2017. Nesse período, liderou a retirada da Venezuela da Organização dos Estados Americanos (OEA), sob críticas ao secretário-geral Luis Almagro, acusado de agir em alinhamento com os Estados Unidos.
Entre 2017 e 2018, presidiu a Assembleia Nacional Constituinte (ANC), órgão criado após o impasse entre o governo Maduro e o Parlamento dominado pela oposição. A instalação da ANC aprofundou o isolamento internacional da Venezuela e coincidiu com o início de sanções financeiras e comerciais impostas ao país. Em 2018, Delcy assumiu a Vice-Presidência da República e, posteriormente, acumulou responsabilidades nas áreas de economia e petróleo, mantendo-se como uma das principais articuladoras políticas do governo.
Agora, à frente da Presidência, Delcy Rodríguez chega ao cargo respaldada por uma trajetória de forte capital político, alinhamento ideológico ao projeto bolivariano e vivência direta nos principais desafios enfrentados pelo Estado venezuelano nas últimas décadas. A expectativa é que sua gestão dê continuidade às bases políticas e econômicas do atual modelo de governo, em meio a um cenário interno e externo ainda marcado por tensões e incertezas.
