Uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, retirados à força de uma residência fortemente protegida em Caracas durante a madrugada de sábado (3). A ação envolveu ataques aéreos, infiltração terrestre e uso intensivo de inteligência, em um episódio que expôs uma violação direta da soberania da Venezuela e marcou uma escalada inédita da ofensiva norte-americana contra o governo do país sul-americano.
As declarações oficiais sobre a operação e seus desdobramentos foram dadas pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em entrevista ao programa Meet the Press, da NBC News, exibida neste domingo (4). Ao comentar o cenário político venezuelano, Rubio afirmou que eleições no curto prazo não seriam viáveis e sinalizou novas pressões contra Cuba.
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Durante a entrevista, Rubio elogiou a líder opositora María Corina Machado, mas reconheceu limitações internas da oposição. “María Corina Machado é fantástica. Eu a conheço há muito tempo. Mas estamos lidando com a realidade, e a realidade é de que infelizmente a grande maioria da oposição não está mais na Venezuela. Temos assuntos urgentes a endereçar”, disse. Segundo ele, os Estados Unidos defendem uma transição democrática, mas consideram que o contexto atual exige outras medidas.
O secretário afirmou ainda que tentou buscar soluções negociadas com Maduro antes da operação militar. “Todos nós queremos ver surgir um futuro para a Venezuela, uma transição para a democracia. Eu tenho trabalhado por isso pelos últimos 15 anos. Nós esperamos ver mais cooperação do que estávamos tendo. Com Maduro não se podia fazer um acordo. Ele podia ter deixado a Venezuela uma semana e meia atrás. Ele teve possibilidade de evitar isso, mas ele não é alguém com quem se possa trabalhar”, declarou.
Rubio indicou que a responsabilidade agora recai sobre as forças de segurança venezuelanas. “Agora tem outras pessoas no comando do Exército e da polícia e elas vão ter que decidir para qual direção irão. Esperamos que eles escolham uma direção diferente”, afirmou, ao sugerir uma mudança de alinhamento institucional no país.
Questionado sobre a possibilidade de eleições, o secretário de Estado descartou essa hipótese no momento. “Eleições? Este é um país que tem sido comandado pelo regime por 15 anos. As eleições deveriam ter acontecido, mas eles se recusaram a contar os votos e todo mundo sabe disso. Então é prematuro [pensar em eleições] neste momento. Há muito trabalho a ser feito. Estamos focados nos problemas que tivemos enquanto Maduro esteve lá, e nós ainda temos problemas”, disse.
A entrevista também abordou a política externa dos Estados Unidos em relação a Cuba. Perguntado se o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria o governo cubano como próximo alvo, Rubio respondeu de forma direta: “o governo cubano é um grande problema”. Ao ser questionado se isso significava uma resposta afirmativa, completou: “Acho que eles estão em maus lençóis”. Em seguida, acrescentou: “Sim. Não vou falar sobre quais serão nossos próximos passos e quais serão nossas políticas agora a esse respeito. Mas acho que não é nenhum segredo que não somos grandes fãs do regime cubano”.
Sobre a presença militar norte-americana na Venezuela, Rubio negou a permanência de tropas no país. “Não temos forças americanas em solo venezuelano”, afirmou, acrescentando que as forças estiveram na Venezuela “por cerca de duas horas, quando foram capturar Maduro”. Ele também mencionou uma declaração recente de Trump: “não temos medo de tropas em terra”.
O secretário de Estado disse ainda que Washington manterá ações militares e judiciais no entorno da Venezuela, especialmente no combate ao narcotráfico. “Estamos em guerra contra as organizações de narcotráfico, não é uma guerra contra a Venezuela”, declarou. Segundo ele, os Estados Unidos continuarão a interceptar embarcações suspeitas e a apreender navios sancionados. “Continuaremos a visar os barcos de narcotráfico que tentarem navegar em direção aos Estados Unidos. Continuaremos a apreender os barcos que forem alvo de ordens judiciais. Continuaremos a fazer isso, e possivelmente outras coisas, até que as questões que precisamos ver resolvidas sejam resolvidas”.
Nos últimos meses, os Estados Unidos atingiram repetidamente embarcações que, segundo o governo norte-americano, transportavam drogas, além de interceptar diversos petroleiros nas proximidades da costa venezuelana, ampliando a pressão internacional sobre o país.
