Os eleitores chilenos definem neste domingo (14), em segundo turno, o próximo presidente do país. José Antonio Kast, candidato da direita, é apontado como favorito nas pesquisas contra Jeannette Jara, candidata da esquerda, do Partido Comunista. A campanha foi dominada por discussões sobre a segurança pública e o aumento da imigração irregular.
A criminalidade é a principal preocupação de 63% da população chilena, segundo o Ipsos, com aumento de 140% nos homicídios em dez anos. O pleito se insere em um contexto de alternância de poder entre direita e esquerda no Chile desde 2010.
José Antonio Kast (Direita), líder do Partido Republicano, 59 anos, centra sua plataforma no combate ao crime e na segurança das fronteiras. Suas principais propostas incluem Segurança Pública e Imigração. Na questão da Segurança Pública Kast promete conceder mais poder de fogo à polícia e enviar militares para atuar em áreas críticas. No que diz respeito a imigração a proposta é de detenção e expulsão de cerca de 340 mil imigrantes sem documentos, o candidato defende um “escudo fronteiriço” com a mobilização de 3.000 militares, a construção de um muro e a abertura de uma trincheira na fronteira com a Bolívia para conter entradas clandestinas.
Caso eleito, Kast seria o presidente mais à direita desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet em 1990. O candidato, que já defendeu o legado de Pinochet, afirma ser um democrata e é contrário ao aborto mesmo em casos de estupro. Esta é sua terceira disputa presidencial.
Jeannette Jara (Esquerda) é militante do Partido Comunista desde os 14 anos, 51 anos, foi ministra do Trabalho no atual governo de Gabriel Boric. No cargo, ela impulsionou a redução da jornada de trabalho de 45 para 40 horas e uma reforma no sistema de aposentadorias. Suas principais propostas econômicas e sociais incluem trabalho e imigração. Suas propostas para trabalho incluem aumentar o salário mínimo para quase US$ 800, US$ 250 a mais que o valor atual. Já no que diz respeito sobre a Imigração, tema sensível nesta eleição, a candidata defende o controle de entradas por passagens clandestinas e a realização de um censo para identificar e expulsar imigrantes sem documentos com antecedentes criminais.
Apesar de ter tido atritos com a cúpula de seu partido por suas críticas a países como Venezuela, Cuba e Nicarágua, o analista Alejandro Olivares, da Universidade do Chile, aponta que o “fantasma [de anticomunismo] que sempre acompanha qualquer candidatura comunista… pesou muito para Jara” na captação de apoios.