Paraíba tem município em seca extrema e integra corredor crítico no Nordeste, aponta Cemaden

A Paraíba aparece entre os estados com registro de seca extrema no país, segundo a edição mais recente do Boletim Mensal de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

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Índice Integrado de Seca (IIS) observado no mês de janeiro de 2026 nas escalas de 3 meses (IIS3, esquerda) (a) e 6 meses (IIS6, direita) (b). Previsão do Índice Integrado de Seca (IIS) para o mês de fevereiro de 2026 na escala de 3 meses (c).

De acordo com o levantamento de janeiro de 2026, o município de Igaracy, no Vale do Piancó,  está entre os quatro do Brasil com condição de seca extrema na escala de três meses (IIS-3). Também registraram esse nível Limeira do Oeste (MG), Santa Vitória (MG) e União de Minas (MG). Não houve casos de seca excepcional no período.

Índice Integrado de Seca (IIS) observado no mês de janeiro de 2026 nas escalas de 3 meses (IIS3, esquerda) (a) e 6 meses (IIS6, direita) (b). Previsão do Índice Integrado de Seca (IIS) para o mês de fevereiro de 2026 na escala de 3 meses (c)No recorte de seis meses (IIS-6), os mesmos quatro municípios permaneceram em condição de seca extrema.Além disso, a Paraíba integra as áreas mais críticas de seca moderada e severa que se estende pelo Nordeste, especialmente em Pernambuco e território paraibano, segundo o Índice Integrado de Seca (IIS-3).

Apesar do cenário, os dados apontam uma redução nacional no número de municípios em seca severa: caiu de 413 em dezembro para 361 em janeiro (-12,5%). Por outro lado, houve aumento da seca moderada (de 1.194 para 1.225 municípios, +2,6%) e da seca fraca (de 2.005 para 2.320 municípios, +15,7%).

As projeções para o fim de fevereiro indicam tendência de diminuição dos municípios com seca moderada a severa e aumento dos casos de seca fraca.

Nordeste enfrenta agravamento no São Francisco

No recorte regional, o boletim aponta que o Nordeste também sofre impactos relevantes nos recursos hídricos. O rio São Francisco, no trecho até a Usina Hidrelétrica de Sobradinho, registrou agravamento da seca hidrológica, atingindo a categoria excepcional.

O diagnóstico integra o Índice de Seca Bivariado Precipitação-Vazão (TSI), que monitora as principais bacias hidrográficas ligadas a usinas hidrelétricas, abastecimento de água e navegabilidade.

A previsão para fevereiro indica manutenção do quadro atual nas bacias monitoradas, com possibilidade de agravamento da seca em algumas áreas do país. No Nordeste, o cenário exige atenção especial diante da importância estratégica do São Francisco para geração de energia e segurança hídrica.

Brasil teve 610 alertas de desastres em janeiro

Em âmbito nacional, a Sala de Situação do Cemaden enviou 610 alertas em janeiro de 2026. Desse total, 364 foram de origem hidrológica (como inundações e enxurradas) e 246 de origem geológica (movimentos de massa).

Em relação aos níveis dos principais rios do país, dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico indicam que, em 10 de fevereiro, áreas do noroeste e sudoeste da Região Norte, parte do Centro-Oeste, porção leste do Nordeste e grande parte do Sudeste apresentaram níveis acima ou muito acima da média climatológica.

Por outro lado, rios do Acre e da porção leste da Região Norte, além de áreas do Centro-Oeste e da Região Sul, registraram níveis abaixo da média.

A previsão sazonal do modelo GloFAS para fevereiro aponta:

Probabilidade de vazões acima ou muito acima da média na porção oeste da Região Norte;

Probabilidade de vazões abaixo da média em toda a porção central do Brasil;

Vazões próximas da média nas demais áreas do país.

Crise hídrica no Sudeste e cenário nacional

O boletim também destaca situação crítica no Sudeste. O Sistema Cantareira encerrou janeiro com 23% de volume útil, em faixa de operação de restrição (entre 20% e 30%), registrando desde outubro de 2025 o pior nível desde a crise hídrica de 2014/2015.

Bacias associadas às usinas de Furnas e Três Marias fecharam o período em seca severa e extrema. Já a porção média e baixa da bacia do Paraná, incluindo Porto Primavera e Itaipu, permaneceu em seca excepcional.

Entre Centro-Oeste e Norte, os rios Tocantins e Araguaia estão sob seca excepcional, enquanto no Norte as bacias dos rios Madeira, Tapajós e Amazonas seguem em condição normal. Os rios Xingu e Negro apresentam seca moderada e fraca.

Para fevereiro, a tendência predominante é de manutenção do quadro atual, com sinais de agravamento concentrados principalmente nas regiões Sudeste e Sul. A única exceção projetada é a bacia do rio Negro, em Manaus, onde há previsão de retorno à normalidade.

O boletim completo também traz análises detalhadas no Boletim de Monitoramento de Secas e Impactos no Brasil e no RiSAF – Boletim de Risco de Seca na Agricultura Familiar, além de formulário aberto para registro de impactos das secas em diferentes regiões do país.

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