Vice da Venezuela confirma sequestro de Maduro e cobra dos EUA prova de vida do presidente

Delcy Rodríguez afirma não saber onde está o presidente e responsabiliza o governo Trump

Delcy Rodríguez
Foto: Vice-presidência da Venezuela/Brasil de Fato

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou neste sábado que o governo venezuelano não sabe onde estão o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores. A declaração foi feita após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma operação militar de grande escala contra a Venezuela e afirmar que Maduro teria sido capturado. O pronunciamento de Rodríguez ocorreu em uma rádio venezuelana, poucas horas depois da publicação de Trump em uma rede social. O governo venezuelano contesta a versão apresentada por Washington e exige esclarecimentos imediatos. As informações são do G1.

Delcy Rodríguez exige prova de vida

Durante o pronunciamento, Delcy Rodríguez foi categórica ao cobrar uma resposta oficial dos Estados Unidos. “Diante dessa situação brutal e desse ataque, nós desconhecemos o paradeiro de Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores. Exigimos do governo Trump prova de vida imediata do presidente Maduro e da primeira-dama”, declarou.

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A vice-presidente não detalhou como ficará a condução do governo venezuelano diante do cenário de incerteza, mas afirmou que medidas emergenciais foram adotadas para preservar a soberania nacional.

Anúncio de Trump e reação em Caracas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,afirmou que forças armadas estadunidenses realizaram uma ofensiva militar contra a Venezuela e que Nicolás Maduro e sua esposa teriam sido retirados do país por via aérea. “Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea”, escreveu.

Trump não informou o destino do presidente venezuelano e disse que mais detalhes seriam divulgados em uma coletiva de imprensa marcada para a tarde, no horário de Brasília.

Relatos de moradores indicaram movimentação intensa em Caracas, com barulho de aeronaves, correria nas ruas e interrupções no fornecimento de energia elétrica, especialmente nas proximidades da base aérea de La Carlota.

Governo fala em agressão imperialista

Logo após o anúncio dos EUA, o governo da Venezuela divulgou um comunicado afirmando que o país estava sob ataque. O texto oficial não confirma a captura de Maduro e informa que o presidente ordenou a ativação de planos de mobilização social e política.

“O presidente Nicolás Maduro assinou e ordenou a implementação do decreto que declara o estado de Comoção Exterior em todo o território nacional, para proteger os direitos da população, o pleno funcionamento das instituições republicanas e passar de imediato à luta armada”, diz o comunicado. Em outro trecho, o governo afirma: “O país deve se ativar para derrotar esta agressão imperialista”.

Delcy Rodríguez reforçou que as ordens de Maduro já haviam sido dadas antes do ataque. “O presidente Maduro já havia sido muito claro e advertido o povo venezuelano de que uma agressão dessa natureza pelos Estados Unidos podia acontecer. A primeira coisa que disse ao povo foi: POVO NAS RUAS. Ele ativou as milícias e todos os planos”, afirmou.

Escalada de pressão dos Estados Unidos

A atual crise ocorre após meses de crescente pressão dos Estados Unidos sobre a Venezuela. Em agosto, Washington elevou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão de Nicolás Maduro e reforçou a presença militar no Mar do Caribe.

Nos meses seguintes, autoridades estadunidenses passaram a indicar que o objetivo das ações seria a derrubada do governo venezuelano. Em novembro, Trump e Maduro chegaram a conversar por telefone, mas, segundo a imprensa dos EUA, o diálogo terminou sem avanços. No mesmo período, o governo norte-americano classificou o Cartel de los Soles como organização terrorista e acusou Maduro de liderar o grupo.

O governo venezuelano afirma que os Estados Unidos buscam controlar recursos estratégicos do país, como petróleo e minerais, e declarou que se reserva o direito de exercer a legítima defesa, convocando países da América Latina e do Caribe a se mobilizarem em solidariedade à Venezuela.

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