Tarifaço dos EUA e carga tributária pressionam indústria da Paraíba, que pede redução do custo Brasil, avalia presidente da FIEPB

Cassiano Pereira comenta desafios da indústria da Paraíba e impactos do tarifaço dos Estados Unidos
Cassiano Pereira comenta desafios da indústria da Paraíba e impactos do tarifaço dos Estados Unidos. Imagem: WSCOM

A indústria da Paraíba enfrenta  desafios para ampliar sua competitividade diante da elevada carga tributária e dos custos estruturais que afetam o setor produtivo. A avaliação é do presidente da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEPB) e da associação Nordeste Forte, Cassiano Pereira, que também comentou nesta quarta-feira, ao WSCOM, os reflexos do tarifaço adotado pelos Estados Unidos sobre produtos importados e seus impactos para empresas paraibanas.

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Impactos do tarifaço dos Estados Unidos nas exportações

Segundo Cassiano, embora o mercado norte-americano permaneça como um importante destino para exportações brasileiras e paraibanas, as restrições impostas pelo governo dos Estados Unidos obrigaram indústrias a procurar alternativas comerciais em outros países. Para ele, o movimento acabou contribuindo para a abertura de novos mercados para produtos brasileiros, incluindo aqueles produzidos na Paraíba.

“Quando surgiu o tarifaço, o industrial paraibano, nordestino e brasileiro foi buscar outros mercados para desovar sua produção. Houve uma crise, mas também houve abertura de oportunidades. Muitas empresas passaram a vender para outros países e reduziram a dependência de um único mercado”, afirmou.

Segundo ele, a medida levou empresas a ampliarem sua presença em novos mercados internacionais.

“Trump, ao meu ver, naquela hora em que fez aquele tarifário, fez com que as nossas empresas brasileiras abrissem os olhos: ‘Espere aí, eu não só tenho os Estados Unidos para vender não, eu vou ter Portugal, eu vou ter França e outros mercados’. E daí houve abertura de outros mercados. Na hora que ele diminuiu, a produção daquela empresa já estava praticamente atendida, porque o industrial teve que deslocar a sua produção. Logicamente que todo mundo quer vender aos Estados Unidos. Voltou a vender aos Estados Unidos, não como vendia, porque ele já colocou em outro país. Então isso também foi bom. Teve uma crise, mas também foi boa”, avaliou.

Carga tributária e custo Brasil preocupam setor industrial

O dirigente destacou, no entanto, que o principal entrave para o crescimento da indústria paraibana continua sendo o chamado custo Brasil. De acordo com ele, a combinação entre impostos elevados, infraestrutura deficiente e aumento de despesas operacionais reduz a capacidade de investimento das empresas e encarece os produtos.

“A indústria paraibana vem, ao longo dos seus anos, não só a indústria paraibana, mas a indústria nordestina, sofrendo essa carga tributária altíssima, que não é só na Paraíba, é em todo o Brasil. Então, fica difícil. Tudo o que acontece, que você queira fazer alguma determinada ação, que queira fazer algum plano, isso tudo acaba tendo um custo que alguém tem que pagar. O governo federal transfere carga tributária, o que são impostos. Isso é muito ruim para o setor produtivo”, afirmou.

O dirigente defendeu uma revisão da estrutura tributária brasileira e alertou para os impactos dos aumentos de impostos sobre o consumidor.

“O que é que nós queremos, setor produtivo? O que é que a indústria quer? Quer trabalhar com menos carga tributária, uma coisa mais justa. Queremos, sim, pagar impostos e pagamos impostos. Agora, da forma que está, está pressionando o setor produtivo paraibano, que se encontra pressionado justamente por essa margem que não existe mais. E, de passagem, quando tem aumento de tributo, aumento de imposto, tem repasse. As empresas repassam para seus produtos. Quem é que paga a conta no final? O consumidor”, declarou.

Investimentos em infraestrutura e modernização industrial

Cassiano também defendeu investimentos públicos em infraestrutura para reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade industrial. Ele citou intervenções realizadas nos distritos industriais de Campina Grande e Queimadas e afirmou que a FIEPB mantém diálogo com o Governo da Paraíba para buscar melhorias semelhantes no Distrito Industrial de João Pessoa.

Ele avaliou ainda que  ações voltadas à modernização dos parques industriais e à redução dos custos de produção devem ampliar a geração de empregos, atrair investimentos e fortalecer a indústria paraibana nos próximos anos.

“Fizemos um pleito ao governador, fui pessoalmente com ele e alguns industriais presentes, e ele me garantiu que seria efetuado. Hoje, em Campina Grande, está sendo melhorado o distrito de Campina Grande e de Queimadas. Fizemos aqui em João Pessoa, estive no Distrito Industrial de João Pessoa com alguns industriais e já falei com o governador Lucas para ele nos atender, porque o nosso pleito é melhorar o distrito de João Pessoa. Isso é custo Brasil. Quando você melhora o ambiente de trabalho, o custo Brasil diminui”, concluiu.

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