Recebi informações muito bacanas sobre a banda Disunidos, vindas diretamente do vocalista André Nóbrega, que conheço de longas datas, desde os tempos dos rolês de bike (BMX sem freio) pelas ladeiras do Centro da cidade, ainda em meados dos anos 80.
André contou que, recentemente, a banda passou por um momento delicado: ficou temporariamente parada em decorrência de um acidente de moto no qual ele se envolveu. O período de pausa, no entanto, não esfriou a chama pelo contrário. A Disunidos retorna com todo gás, reafirmando sua força e relevância, inclusive com participação em uma nova coletânea produzida pelo Zine Contra Mão Musical, do Piauí, ao lado de diversas bandas importantes do cenário underground brasileiro e internacional. Um claro sinal de que o grupo segue ativo, criativo e totalmente conectado com a cena.

Formada em 1987, em João Pessoa (PB), a banda foi a primeira da Paraíba a assumir de vez o punk como linguagem, atitude e resistência. Desde as primeiras demos e a intensa circulação no underground com shows, produção de zines e articulação direta com a cena nacional a Disunidos ajudou a construir um movimento que ultrapassou o som e se transformou em posicionamento político e cultural.
“Participamos da geração musical que criou o underground paraibano. Roemos os ossos, salgamos as pelancas para o feijão, mas o filé ainda é para poucos politizados sem liberdade artística”, comenta André Nóbrega.
A Disunidos fechou 2025 com um show icônico, dividindo o palco com a lendária banda Cólera. Pouco depois, ocorreu o acidente de André. Agora, já reabilitado, ele retorna aos palcos com a banda e com uma novidade na formação: Henrique Campelo assume a bateria, enquanto Alex Russo, vulgo Russo mesmo, permanece no contrabaixo.

Show lendário onde a banda Cólera também tocou, Vila do Porto.
Com produção constante e o firme propósito de perpetuar um legado, a Disunidos segue representando a Paraíba em todos os espaços possíveis do cenário artístico e underground. Uma banda que sobreviveu ao tempo, às adversidades e às pausas forçadas e que volta mais viva do que nunca, provando que o punk, quando é verdadeiro, não envelhece: resiste.
Formação:
André Nóbrega – Voz e guitarra
Alex Russo – Contrabaixo
Henrique Campelo – Bateria
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