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Assistimos no teatro Pedra do Reino, do Centro de Convenções de João Pessoa, ontem, 05.08, ao show/gravação do artista paraibano Zé Ramalho acompanhado pela Orquestra Sinfônica da Paraíba e Orquestra Jovem da Paraíba, regida pelo maestro Luis Carlos Durier, com arranjos, diga-se de passagem, belíssimos, de Emanuel Barros.
Foi sem dúvida alguma um show apresentação impecável, que marca os 40 anos de carreira artística de Zé Ramalho, um paraibano que ganhou o mundo; e homenagem aos 431 anos de João Pessoa, a Capital do Estado. Confesso que em dado momento a emoção tomou conta de mim levando a humedecer de lágrimas os olhos
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Ver ouvir Zé Ramalho significou naquele momento um marco de quarenta anos de história, não apenas dele, o artista e sua trajetória de conquista, mas de nossas vidas, nós que acompanhamos sua carreira. Significou provocar no subconsciente os arquivos de imagens da cidade das acácias, do sertão, do caçador, e os apelos urbanos de um sobrevivente garoto de aluguel. Sem deixar de lado as filosofias do velho profeta cantador de São Bento, interior da Paraíba, eternizadas na letra de A Terceira Lâmina e Eternas Ondas. Vila do Sossego, Chão de Giz, e outros grandes sucessos como Admirável Gado Novo.
As imagens fortes de nordeste, do cantador, associadas aos delírios loucos de que reporta Zé Ramalho, segundo confesso, em depoimento na entrevista coletiva que precedeu o dia do show; como que um médium que recebe inspiração do além para compor; e ainda a confirmação de que a sua é uma música atemporal e universal, faz entender a grandiosidade da obra.
A parte as intrigas de oposição referindo o show como capricho governamental para oferta a poucos, concordamos com o poeta e Secretário de Cultura do Estado, Lau Siqueira, quando diz que a Paraíba estava devendo a Zé Ramalho uma homenagem de tamanho porte. Pela relevância que envolve seu nome, levando assim o nome do Estado da Paraíba para o Brasil e o mundo.
Esse momento dos 40 anos de carreira e a comemoração do aniversário da cidade casam a partir de convite do próprio governador Ricardo Coutinho, que teve a iniciativa de propor realizar. Essa visão de promover a Paraíba e seus talentos deve ser levada em conta também apreciando os atores que movimentam o horário nobre da rede nacional de televisão, do cinema, os artistas plásticos expondo em países de todo o mundo, o teatro, o artesanato, e todos os demais setores da arte e da nossa cultura. Essa projeção deve ser refletida, repensada, deve haver maior investimento.
Mas, voltando ao show, de início a plateia composta por média de um público de 3000 pessoas levantou aplaudindo logo a partir dos primeiros acordes de um super arranjo musical para o clássico Avohai. Seguindo-se aplausos para as demais peças, todos clássicos da obra conjunta de Zé Ramalho, e que o mundo canta. Clássico, como explica o maestro Durier, significa uma obra artística que serve de modelo, com valor que se torna universal, reconhecida. Assim, Zé Ramalho e sua obra. O DVD com o show gravado será em breve disponibilizado para o público geral. Parabéns a todos que promoveram e realizaram tão grande evento.
Gil Sabino é jornalista e gestor de marketing. g.sabino@uol.com.br
Escrito por: Gil Sabino