“A ÚLTIMA CANÇÃO”

 

Em 1968 essa música foi consagrada na voz de Paulo Sérgio, um dos ícones da chamada “jovem guarda”, grupo de cantores românticos da década de sessenta. A composição leva a assinatura de Carlos Roberto, um jovem de 16 anos e parceiro em várias outras canções por ele interpretadas. Paulo Sérgio por guardar semelhanças com o estilo musical de Roberto Carlos chegou a ser apontado como seu imitador. Morreu vítima de um derrame cerebral aos 36 anos causando uma verdadeira comoção nacional. No seu sepultamento os fãs em coro cantaram, como despedida, seu maior sucesso “A última canção”.
 

“Esta é a última canção que eu faço pra você/Já cansei de viver iludido só pensando em você”. Na verdade é uma canção de despedida. O derradeiro apelo de alguém que ama e não é correspondido. A dor de amar sem ser amado, mas que enfim percebe ser tudo uma ilusão.
 

Nessa estrofe “E as canções tão lindas de amor que fiz ao luar pra você/Confesso, iguais aquelas jamais ouvirá”. Como um “que” de lamento, um arrependido de ter declarado em canções toda sua paixão, ele canta com a certeza de que sua amada nunca mais ouvirá nada igual.
 

O compositor chama a atenção para o risco da pessoa a quem amou acordar mais na frente e verificar o que perdeu. “Mas sinta por dentro a dor do amor/então você verá o valor que tem o amor/e muito vai chorar ao lembrar o que passou”. A dor do amor é um sentimento dilacerante ao perceber que já não é mais importante para o ser amado. A traumática sensação de perda, a rejeição quando uma história se finda sem a concordância mútua, o querer que a dor sentida se transfira para aquele quem deu causa à dor. É o que o poeta nos diz nessa “última canção”.

* Integra a série de crônicas “PENSANDO AT
 

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