A Polícia Federal (PF) elaborou um estudo de segurança sobre a casa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília, e concluiu que ele poderia escapar do condomínio onde cumpre prisão domiciliar e chegar em poucos minutos à embaixada dos Estados Unidos, para onde pediria asilo. A informação foi revelada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, nesta sexta-feira (29).
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De acordo com o levantamento, feito com drones, a residência de Bolsonaro tem dois vizinhos laterais e três nos fundos. Policiais que fazem vigilância do lado de fora conseguiriam impedir uma tentativa de fuga pelos muros laterais, mas não teriam visibilidade caso ele optasse por pular os muros traseiros, que dão acesso ao jardim de casas vizinhas.
Nesse cenário, o ex-presidente poderia se esconder em um carro de terceiros e sair pela portaria sem revista, já que os veículos não passam por inspeção. O uso de tornozeleira eletrônica, segundo a PF, também não impediria a fuga: a sede da diplomacia norte-americana fica a cerca de dez minutos do condomínio Solar de Brasília.
A avaliação levou a corporação a pedir autorização para manter agentes dentro da casa de Bolsonaro 24 horas por dia. O objetivo seria eliminar qualquer possibilidade de evasão.
PGR rejeita pedido da PF
O pleito, no entanto, foi rejeitado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), ele considerou que não há necessidade de medidas “mais gravosas” do que as já em vigor.
Bolsonaro está em prisão domiciliar e usa tornozeleira eletrônica por ordem do ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal no STF. Moraes havia solicitado parecer da PGR após receber alerta da PF sobre a possibilidade de fuga.
Embora tenha reconhecido que há indícios de risco — como o pedido de asilo à Argentina encontrado no celular de Bolsonaro e a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos EUA —, Gonet entendeu que o monitoramento atual é suficiente.
“As circunstâncias recomendam precauções contra iniciativas de fuga. Tudo isso, afinal, é ainda mais acentuado pela proximidade do julgamento da ação penal, marcado para se iniciar em alguns dias. Providências de cautela já foram, por isso também, adotadas em atenção ao interesse na aplicação efetiva da lei penal”, escreveu.
O procurador, no entanto, manifestou-se favorável ao reforço da segurança nas proximidades da residência e no controle de acesso ao condomínio.
A PF insiste que a tornozeleira eletrônica pode falhar temporariamente, o que daria margem a uma fuga. A corporação também alerta que, caso Bolsonaro conseguisse alcançar a embaixada americana, a situação jurídica se tornaria ainda mais delicada, com implicações diplomáticas imediatas.
O julgamento da ação penal contra o ex-presidente está previsto para começar nos próximos dias no STF.