Terminou na madrugada de ontem nova reunião de cúpula do PFL, agora em Brasília, cujo saldo reverberado durante o dia pelo presidente do partido em nível estadual, senador Efraim Morais, é claro: o médico Reginaldo Tavares é pré-candidato do partido a prefeito de João Pessoa.
A ratificação do posicionamento implica em fatos conseqüentes, tanto do ponto de -visto interno, quando da realidade externa, especialmente na direção do prefeito Cícero Lucena, visivelmente irritado com a postura do PFL.
No caso de Cícero, a razão é única: com Reginaldo na parada o projeto dele fazer Ruy Carneiro candidato passa a contar com concorrente de nível, capaz de gerar desfalques em aliados por perto. Isso, em outras palavras, significa tirar do prefeito o controle absoluto da situação.
Há, como foi dito, outras implicações imediatas. Muito além do que se possa imaginar, a esta altura do campeonato, Reginaldo parece dispor de acenos e apoios em construção dentro da estrutura próxima de Cícero, capaz de lhe fazer subir pelas paredes porque são pessoas de sua intimidade.
No paralelo, ainda, o senador Efraim Morais garante que não haverá nenhum problema dele e do PFL com o Grupo Cunha Lima, porque insiste na tese de que lá na frente todos vão estar no mesmo barco.
Ontem, o senador foi direto ao assunto, quando indagado sobre as irritações de Cícero diante desses passos do PFL.
`Vamos sentar, não sei ainda a data porque depende do governador, mas não vejo problemas em cada partido ter seu candidato unindo-se mais na frente´.
– Mas o prefeito disse que, se o PFL não aceitar a pesquisa, como querem os outros, é porque não age como aliado observou o colunista para ouvir do senador:
– A pesquisa é aceita por nós, mas só mais adiante, depois do debate, da exposição dos projetos de cada um para a cidade, pois, até agora só poucos tiveram a oportunidade estão em evidência repicou.
Trocando em miúdos, como se diz lá no Mercado da Torre, o PFL não está nem aí para a cara feia do prefeito por insistir em ter candidato próprio.
Eleição proclamada
O desembargador Marcos Souto Maior deixou a sala de sessões, no final da tarde de ontem, para anunciar que, depois de eleição, ele é o novo presidente do Tribunal Regional Eleitoral no biênio 2004/5.
– Quiseram criar um clima de verdadeira guerra na eleição para o TRE. Todos sabem que o mandato do presidente é de um ano, e desse modo eu não poderia ser reeleito ao cargo de vice-presidente”, disse.
Eleição contestada
Antes mesmo de anunciado o resultado, os juizes Helena Fialho, Carlos Aquino, Carlos Sarmento, Marcos Cavalcanti e o desembargador Antonio de Pádua Montenegro, se trancaram, em sala especial do TRE , para elaborar documento enviado ao TSE relatando as ocorrências e expondo a contestação.
Nenhum deles votou na eleição e todos se retiraram da sessão antes de sua conclusão.
Recursos jurídicos I
Durante todo o dia, o desembargador Marcos Souto Maior adotou duas medidas jurídicas uma no TSE e outra no TRE em busca de resultados distintos, embora na mesma direção de lhe garantir a eleição de presidente.
No TSE, impetrou Representação 694 junto ao corregedor eleitor, ministro Barros Monteiro, pedindo a suspensão da eleição da diretoria do TRE. Na hipótese da negativa, queria manter sua condição de candidato único a presidente.
Recursos jurídicos II
No TRE , entretanto, entrou com ação liminar argüindo a Lei 102, da Magistratura, segundo ele, impedindo que presidente e vice dos tribunais sejam reeleitos.
Por essa argumentação, como ele já era presidente não podia ser reeleito. A matéria foi despachada para o juiz Nadir Valengo, que acatou a ação.
Os demais juízes tiveram entendimento contrário.
Saldo final
Depois das 20 horas, os juizes eleitorais produziram documento em que `denunciam o desembargador Marcos Souto Maior por uma série de irregularidades na condução do processo eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral´.
Isso implica no pedido de anulação da eleição do desembargador Marcos Souto, embora condicionassem tudo à decisão do corregedor Barros Monteiro.
Em síntese, agora é o TSE quem vai agir devendo produzir novidades de mil megatons.
Ainda a Folia
Decisão de governador é soberana, portanto, merece crédito absoluto. Falo assim sem ignorar a sabedoria popular que expõe na essência da regra, a existência da exceção como forma indispensável.
Volto a repetir: as ações emergenciais do governo em face das chuvas são verdadeiras, justificáveis, mas isso não implica em restrição total a outras emergências, como é o caso do Folia de Rua e as tribos indígenas, orquestras, escolas de samba cultura pura e tradição.
Ainda há no final do túnel uma esperança de toque de sensibilidade do governador Cássio Cunha Lima nesta questão, porque a cultura da cidade, que ele anunciou na mira da conquista, vive em busca desse zelo.
Umas & Outras
… A decisão de acordo entre PMDB e PT no primeiro turno ainda não está descartada.
… O pré-candidato Manoel Júnior foi visto em andanças pela Torre, mais precisamente no Malandros do Morro.
… Dias atrás quem esteve por lá foi o deputado/pré-candidato Ruy Carneiro lançando o Fla-Torre.
Última
`Com pandeiro/ ou sem pandeiro/eu brinco…´