Efeitos na crise do PMDB
Por Walter Santos
A Convenção Nacional do PMDB sela neste domingo novo curso na história desta frente ideológica que se transformou em partido com a redemocratização no Brasil. Há efeitos práticos a serem expostos já agora não deixando pedra sobre pedra no caminho dos que optam pela manutenção do apoio ao Governo Lula.
Neste sábado, em Furo Nacional, o Portal WSCOM Online trouxe informações precisas, e em primeira mão, apontando claramente que o PMDB vai expulsar embora a palavra usada estivesse atenuada do tipo desligar da agremiação todos os que descumpram a Resolução a ser aprovada de deixar imediatamente os cargos no Governo Federal.
Há vários fatores e valores em torno da atual conjuntura interna no PMDB, mas seguramente duas delas são basilares: a primeira, de que a opção anti-Lula se efetiva majoritária na legenda, e, segundo, o partido consolida o dominio dos Estados ricos sobre os Pobres estes últimos mais afeitos à dependência de recursos federais.
É evidente que nada pára por aí. Está evidente ao longo do curso dessa queda-de-braço que, nos estados onde o PMDB é Governo, poucos resistem à convivência harmônica com o PT, sobretudo, em Estados de expressão fundamental para a vida e história dos petistas.
São Paulo,Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Recife e por aí vai são ambiências de muito mal humor dos governadores pemedebistas porque é na ponta, nas unidades da federação, onde a polarização e o conflito com os petistas andam aguçada até demais.
Neste contexto, mesmo com visão macro, não podemos ignorar os casos pontuais de outros Estados, a exemplo da Paraíba, onde os dois senadores José Maranhão e Ney Suassuna seguem a lógica de manutenção do apoio porque, diferentemente de outros, não têm problemas a resolver gravemente na relação com os petistas em suas bases.
Aliás, como argumento real, eles lembram que a opção por Lula se deu quando, em fase delicada da campanha com tendência de crescimento de Ciro Gomes, o projeto Lula ainda era risco, portanto não consideram adequada a pecha de oportunistas, que a turma de Temmer chama de fisiologistas.
O fato é que, com a Resolução, Maranhão e Ney devem mesmo ser desligados do PMDB porque, decididamente, não vão deixar os espaços que ocupam no Governo Lula. A conta é maior: são 46 deputados federais e 15 senadores.
Sendo assim, como se prenuncia, os parlamentares e a base principal do PMDB paraibano deve se transferir de malas e cuias para o PTB acabando com o sono tranqüilo do atual presidente estadual, Carlos Dunga, que deve ser convidado a procurar outro ninho partidário.
Em síntese, é esse novo cenário que o PMDB nacional constrói dando o troco ao PT do Sul agrupando todas as insatisfações dos que vivem na disputa real na busca de construir candidatura própria e, no segundo turno, fazer aliança com o PSDB.
Eis o resumo da ópera.