A retomada dos trabalhos na Câmara Municipal, ontem, repetiu antiga cena no legislativo de João Pessoa com a base aliada dando ao prefeito Cícero Lucena folgada maioria, embora a Oposição diminuta tenha marcado presença fazendo barulho como sempre.
A abertura dos trabalhos levou Cícero à leitura de 20 laudas focando ações desenvolvidas ao longo dos 7 anos de Governo. Como desafio, daqui em diante, apontou a erradicação do analfabetismo como ponto central do tempo restante da sua gestão.
Sem deixar de “alfinetar” a Oposição, especialmente a que se fixa fora do Plenário da Câmara, o prefeito deixou evidente o interesse de resistir às intrigas para dividir seu grupo político, tanto que previu a manutenção da aliança nos moldes por ele apregoada, num discurso direto na direção do PFL.
Cícero, entretanto, exagera quando atribui os movimentos de candidatura própria ao interesse Opositor fora de seu grupo, que não tem nada a ver com isso. A formalização da campanha de Reginaldo Tavares pelo PFL é obra fruto de seus próprios aliados, e não de outros atores de influência externa.
Mas, além dos adversários nos partidos graúdos, o prefeito viu que vai ter dor-de-cabeça com a fala insistente da vereadora Nadja Palitot.
Na sessão, quando ele falava repetidamente em João Pessoa como “cidade maravilhosa” Nadja não se agüentou e saiu com a ironia de que Cícero falava de outro lugar, e não da Capital paraibana.
Da Oposição foi só o que se ouviu, ontem, porque o esperado pronunciamento do vereador Luciano Cartaxo, do PT, fazendo cobrança em diversas áreas, entre elas da saúde e das finanças – especialmente da cobrança do ICMS de João Pessoa – acabou não se efetivando (adiando para hoje) em face de problema de saúde.
Toda esta contextualização serve de moldura 3 X 4 para a compreensão geral sobre como será o tom do embate durante a sucessão. De um lado, com o prefeito (e seu candidato) enumerando ações estruturantes de expressão; do outro, a Oposição buscando desqualificar o que for possível dizendo-se ter a melhor opção.
Cuité quente
O clima anda acirrado na cidade de Cuité com a cassação do mandato Osvaldo Venâncio (PMDB) desfeita com liminar concedida, ontem, pelo juiz eleitoral Carlos Sarmento no meio da tarde.
A cassação promovida em sentença pelo juiz Edailton Silva produziu a posse do segundo mais votado na disputa de 2000, Jaime Costa, mesmo com a liminar suspendendo a cassação.
Futuro de Meireles
O anúncio de rompimento do suplente de deputado Beto Meireles com o ex-governador Roberto Paulino é o assunto do dia, desde ontem.
Beto, liderança emergente, argumentou sua decisão por se sentir “escanteado” por Paulino. Na verdade queria, como quer, ser candidato a prefeito, só que o ex-governador tem sua esposa, Fátima, na preferência.
Resultado: depois do rompimento, Beto segue na direção de ter o apoio do grupo de Zenóbio Toscano, mesmo com todos os desmentidos e amuos.
PT “esverdeado”
A tendência do PT liderada por Júlio Rafael, Francisco Linhares, Lucius Fabianus e cia voltou ao centro dos debates internos com a defesa pública de revisão da política de aliança da candidatura de Avenzoar em João Pessoa.
Eles criticam a convivência com o PMDB do senador José Maranhão por defenderem a aliança com Cássio.
Novo adiamento
Não foi ontem, ainda, que o Cogef – Comitê de Gestão das Finanças – do Estado produziu a tabela de pagamento do funcionalismo para todo o ano, mesmo com a demorada reunião na Granja Santana.
A base central para o adiamento está no volume apertado de recursos, que vai obrigar mais aperto geral.
Umas & Outras
… Está demorando, mas é provável que até a próxima semana novos cargos sejam destinados à Paraíba como parte do acerto nacional PT/PMDB.
… O presidente nacional da CUT, Luiz Marinho, tem agenda programada para João Pessoa no próximo dia 8, cuja pauta central será a Reforma Sindical e de ato público do Dia Internacional da Mulher.
… A engenheira Aracilba Rocha tem sido vista em João Pessoa, depois de se reapresentar ao trabalho em São Paulo. Com sua chegada, fala-se com freqüência no reaquecimento do comitê do senador Ney Suassuna no Estado.
… O vereador Marcus Vinicius reagiu imediatamente ao final do discurso de Cícero, ontem, considerando-o especial. Depois circulou no almoço oferecido no Bessa com intimidade junto à cúpula cicerista. Deve estar pensando em vôos altos.
… O presidente do PMDB, Haroldo Lucena, acha que a partir de agora as ações vão se multiplicar no Interior do Estado.
Última
” Liberdade/ é o único sentimento de revolta…”