Se reparar direito, a conclusão do Ministério Público Federal e Estadual sobre a tragédia ocorrida na Barragem de Camará responsabiliza o Governo Maranhão na fase preliminar de elaboração de estudos e execução da obra, da mesma forma em que afeta o Governo Cássio por negligência na manutenção da barragem. Esta é a síntese de todo um tempo de análises e investigações.
Os dados do Ministério Público resultam de amplo levantamento movido por assessoramento técnico de engenheiros da UFPB e de São Paulo, com volume expressivo de documentos e depoimentos de todas as partes envolvidas, portanto, refletem descuidos continuados em fases distintas da obra, somente detectados em face do estrondo causado pelo rompimento.
Há um outro caso adicional grave na direção do Secretário de Recursos Hídricos, Francisco Sarmento, quando os Procuradores da República responsabilizam-no por superfaturamento da obra saltando de R$ 12 para R$ 24 milhões. Na prática, a acusação respinga no ex-governador Maranhão.
Mas não é isso o que afirma o acusado, tanto que diz ter aprovação das contas pelo Tribunal de Contas da União. Mesmo assim continuará no alvo das investigações do MPF.
Em síntese, segundo o Relatório, o Estado será responsabilizado por todas as conseqüências advindas da obra e os efeitos de sua semi – destruição da barragem. E mais: o Ministério Público exigirá das construtoras e do próprio Estado indenizações às vítimas, bem como a reconstrução da obra.
Com o resultado apresentado na UFPB, as duas principais lideranças até podem ainda insistir na responsabilização do outro sobre a causa da tragédia de Camara, entretanto, nenhuma das partes deve comemorar o insucesso do outro porque há menção de ambos em momentos diferentes.