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Sem indústria, Brasil será prejudicado por guerra comercial entre China e EUA, preveem analistas

24/07/2020


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Sputnik

Nesta semana, os Estados Unidos decidiram que a China deve fechar o Consulado-Geral chinês em Houston e acusaram hackers chineses tentarem roubar informações sobre projetos de vacinas contra a Covid-19. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também afirmou que o fechamento de outras missões diplomáticas da China é uma possibilidade.

Pequim, por sua vez, prometeu “reagir com contramedidas firmes” caso Estados Unidos não voltem atrás em sua “decisão errônea” de fechar o consulado chinês em Houston. Nesta sexta-feira (26), a China ordenou que os Estados Unidos fechem seu consulado na cidade de Chengdu.

Em entrevista à Sputnik Brasil, a professora de economia do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) Juliana Inhasz avalia que com uma pauta de exportações dominada por produtos de baixo valor agregado, o Brasil tem pouco a ganhar com a disputa entre os dois países.

“As pautas de importação e exportação entre China e Estados Unidos são muito focadas em produtos industrializados e de alta tecnologia. Quando a gente olha o que eles comercializam entre si, desde aviões, instrumentos médicos, aparelhos eletrônicos, carros e até máquinas, equipamentos, celulares, televisores, enfim, eles geralmente trocam entre si produtos de alto valor agregado, existem, óbvio, dentro dessas pautas um pouco de produtos que são mais agro, mas a parcela é, de fato, muito pequena. O Brasil poderia entrar dentro dessa comercialização se tivesse produtos de alto valor agregado, produtos industrializados”, diz Inhasz.

Um possível ganho poderia acontecer caso o Mercosul estivesse melhor articulado, afirma a professora do Insper. Ainda assim, ressalta Inhasz, a disputa entre os dois gigantes gera uma desaceleração do comércio global.

Pandemia já é suficiente para cenário pessimista, diz analista

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, também destaca o impacto negativo global que a escalada de tensão entre China e Estados Unidos deve gerar e relembra que a Organização Mundial do Comércio (OMC) prevê uma retração de 18,5% no comércio mundial no 2º trimestre na comparação com o mesmo período de 2019.

“O ideal é que essa guerra comercial não se expandisse, ficasse apenas nas ameaças e não passasse disso porque, além da pandemia que nós estamos vivendo hoje, ter uma guerra comercial neste momento significaria como se fosse uma nova pandemia e o mundo não está preparado, muito menos o Brasil, para que isso ocorra”, diz Castro à Sputnik Brasil.

Este cenário não é otimista para o Brasil, avalia o presidente da AEB, porque a retração na economia global deve gerar uma queda no preço das commodities, que são os itens mais importantes das exportações nacionais.



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