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Música

13/10/2019


Mercado da música ‘acabou’, diz Fagner no aniversário de 70 anos

Em produção de um novo disco, o cantor e compositor cearense segue compondo canções que 'buscam tocar o coração das pessoas'.

Aos 70 anos, Fagner continua trabalhando e grava disco de canções inéditas. (Foto: Kid Júnior/SVM)

A rotina de trabalho do músico cearense Raimundo Fagner parece a de um garoto de 20 e poucos anos. Depois de um mês fora de casa, apresentando shows pelo Brasil, a primeira coisa que ele faz ao retornar para a terra natal é marcar uma tarde de gravação do novo disco e atender a equipe do G1 para falar sobre o aniversário de 70 anos. A nova idade será celebrada neste domingo (13), com homenagens em Fortaleza e Orós (cidade materna da família do cantor, distante 345 km da Capital).

Apesar da vida agitada, ele tece críticas contundentes ao ramo profissional que escolheu há mais de quarenta anos. “O mercado já acabou, mas a gente está buscando fazer uma música que acredito que possa ainda tocar as pessoas. As gravadoras não esperam mais, mas o público espera, então tem que privilegiar ele, que acompanha a gente há muito tempo”, diz.

O compositor não concorda, porém, com uma afirmação recente do colega Milton Nascimento, de que “a música brasileira está uma merda”, dita em entrevista ao jornal Folha de São Paulo.

“Eu jamais daria uma opinião como a do Milton, é tanto que ele se arrependeu. No mais, acho que cada um faz sua música, faz o seu tempo. Na época que nós fomos modernos, não tinha que estar reclamando de nada. É o que está se vivendo, é o que está se passando e a gente não pode querer transferir épocas. Então, parabéns a quem estiver fazendo música atual com qualidade, porque realmente é uma fórmula muito igual. No bolo, sempre tem gente muito boa”, defende.

Nos anos 1970, quando trocou a faculdade de Administração pela carreira musical, Fagner tinha uma certeza: “é preciso arriscar o presente em prol do futuro”. E esse sentimento o acompanha até hoje. Atualmente ele trabalha em um repertório de canções inéditas com os parceiros Renato Teixeira, Fausto Nilo, Moacyr Luz e Zeca Baleiro.

O novo disco ainda não tem data de lançamento, mas esse processo de criação é o que vem instigando o compositor. “Tô super motivado, isso é fundamental nessa idade, nesses anos todos de carreira, você estar compondo, vendo, sentindo a motivação das pessoas que estão ao seu lado trabalhando.”

Além do mercado musical, o cantor afirma que a situação política do Brasil também o aflige. “Esse ano a gente tem essa preocupação de estar existindo uma polarização ideológica muito forte, e que o país tem que caminhar pelo centro. A gente tem uma expectativa aí financeira, de nível de esperar do Brasil, que a gente sempre acha que vai pra frente, mas tá sempre dando um passo atrás, então é a preocupação de que o país possa sair desse momento difícil ideologicamente, economicamente.”

Por G1

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