Geral

Morte e Vida

24/05/2020


Hoje, peço licença e trago, ao meu sentir, a maior desconformidade existente: morte e vida.

Em época de pandemia causada pela Covid-19, a morte reafirma-se diariamente de forma intensa como o último ato da vida.

Daí veio até mim a reflexão de Mario Quintana que disse: “Morrer, que me importa? (…) O diabo é deixar de viver”. Guia-nos, pois, sua visão de que deixar de viver é indubitavelmente um problema maior que a própria morte.

Independente do conhecimento da morte, o que vale a pena de fato é a vida!

Na marcação gregoriano, há quatro anos, em um dia como o de hoje, recebi a triste notícia da morte e no dia seguinte -como o de amanhã -, continuarei a comemorar a vida, tem dezoito anos.

O aniversário de partida física de minha amada mãe, Neide Castilho, deixa-me cabisbaixo, entretanto com a certeza de que acordarei, no dia seguinte, foliador e sorridente, pois estarei exaltando a vida de meu único filho.

Todos os dias sinto saudade e recordo-me de mamãe. Contudo, é no dia de hoje que se passa o aniversário sem festa, que o banzo e a tristeza se instalam.

Amanhã estarei em celebração, entregando à Igor Castilho o seu salvo-conduto, passando, ele, a segurar em sua vida as responsabilidades de seus atos e decisões.

A ausência conforta-me pela vida vivida, mamãe. A presença cria em mim as perspectivas, filhote. Ou seja, conforme estabeleceu o ganhador do Premio Nobel de Física de 1922, Niels Bohr “o sentido da vida está em que não há sentido uma vida sem sentido”.

Na pureza, como cantou e encantou Gonzaguinha: (…) Viver/E não ter a vergonha/De ser feliz/ Cantar e cantar e cantar/A beleza de ser/Um eterno aprendiz (…)

Anselmo Castilho
Advogado
Maio/2020

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