Educação

Sisu: critério de raça tem discrepância maior nas notas de corte de cotistas

09/02/2013


O critério racial interfere mais nas diferenças de desempenho entre cotistas e não cotistas aprovados para vagas em universidades federais no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do que qualquer outro critério, como a renda do candidato, por exemplo. As notas de corte – pontuações dos últimos alunos selecionados por curso em cada modalidade – mais discrepantes em relação à concorrência geral são as dos aprovados pelas cotas raciais, enquanto os candidatos oriundos de escolas públicas, independentemente de renda ou raça, têm notas mais parecidas com os que não são cotistas.

O levantamento feito pelo iG a partir de dados exclusivos solicitados ao Ministério da Educação (MEC) considerou as notas de corte dos aprovados nos cursos que já oferecem 50% de suas vagas no processo seletivo em todos os modelos possíveis de cotas, o que totaliza 1.229 cursos. Essa amostragem antecipa a disputa pelas vagas em 2016, prazo máximo para que todas as universidades e os institutos federais atinjam o percentual de reserva garantido pela lei das cotas .

Como era previsto por especialistas, as notas dos últimos aprovados para as vagas que não foram disputadas por cotistas são mais altas na maioria dos casos. Essa diferença só é insignificante, ou seja, de menos de 10 pontos a mais tanto para cotistas quanto não cotistas, em 553 opções de cursos (11,54%) do total analisado pelo iG . Desse grupo, 67% são de estudantes de escola pública que não optaram pelas cotas raciais ou de renda.

Incentivo: Governo terá programa para manter cotistas nas universidades

A análise considerou as 4.793 notas de corte geradas a partir dos oito modelos de cotas dadas pelas universidades aos candidatos de escola pública no Sisu. São eles: candidatos pretos, pardos ou indígenas com renda familiar inferior a 1,5 salário mínimo per capita (algumas instituições dividiram essa categoria em duas, separando os indígenas); candidatos pretos, pardos ou indígenas independentemente da renda (essa categoria também foi transformada em duas por algumas instituições, separando os indígenas); candidatos com renda familiar inferior a 1,5 salário mínimo per capita e candidatos com renda superior a essa.

A nota no Sisu é calculada a partir do desempenho do estudante no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cuja escala varia de 0 a 1000. Na última edição, as notas mínimas e máximas tiradas pelos estudantes em cada prova (não há média geral) variaram entre 277,2 pontos em matemática e 955,2 na mesma prova. Alguns alunos alcançaram nota 1 mil na redação. A nota de corte é a menor pontuação exigida para aprovação em cada opção de curso, de acordo com os alunos concorrentes pelas vagas.

Mais extremos nos recortes raciais

Entre os cotistas que ficaram com notas de até 10 pontos de diferença com não cotistas, os egressos de escolas públicas e de baixa renda só se deram melhor que os que concorrem fora das cotas em 25 cursos. Das 136 opções que aparecem nessa faixa de diferença, há 11 notas de corte de candidatos pretos, pardos ou indígenas com renda superior a 1,5 salário mínimo e apenas quatro de estudantes no mesmo recorte racial e pobres.