Futebol

‘Seu Iranildo’ volta ao Madureira por gratidão, mas ainda sonha com o Fla

'Chuchu'

23/01/2013


Famoso após duas passagens pelo Flamengo, entre 1996 e 2003, Iranildo está de volta ao Rio de Janeiro. Aos 36 anos, naturalmente a velocidade e a forma física já não são mais as mesmas, como o próprio admite. Talvez por isso, o pernambucano tenha ficado oito meses sem clube desde que deixou o Ceilândia-DF até acertar seu retorno ao Madureira, que o revelou. Com as portas abertas na equipe, o meia aceitou o desafio de jogar mais um Campeonato Carioca por um salário simbólico – uma dívida de gratidão.

Foi no Tricolor Suburbano que Iranildo se destacou no começo da carreira e garantiu vitrine para chegar ao Botafogo e, pouco depois, ao Flamengo. Depois de passar por nada menos do que nove equipes (além de retornar aos dois grandes cariocas), surgiu a ideia de vestir de novo a primeira camisa da carreira. Bastou um telefonema para o presidente do clube, Elias Duba, para chegar a um acordo.

– Não foi por causa de dinheiro nem nada. Tinha interesse de voltar para o Rio, estar aqui de novo e disputar o Carioca. Queria voltar para onde comecei. E quando conversei com ele, ele logo resolveu, disse que a porta estava aberta. Meu contrato com seu Elias foi resolvido por telefone – afirmou o veterano.

Elias Duba não se surpreendeu com a proposta do meia, que sempre agradeceu pelo que o Madureira proporcionou.

– O Iranildo é um cara que é grato ao Madureira, pelo o que o Madureira fez por ele. Eu que o coloquei no Botafogo, que o vendi para o Flamengo. Ele é grato por isso – disse o mandatário.

A princípio, o vínculo de Iranildo com o clube é até o fim do Campeonato Carioca. Uma extensão até o final do ano é possível, desde que o jogador recupere o ritmo de jogo e mostre que ainda pode render.

Quando deixou o Rio, Iranildo já era conhecido por seu apelido: Chuchu. Apesar de alguns torcedores ainda o chamarem assim nas ruas, a alcunha deu espaço a um tratamento mais respeitoso dentro do Madureira.

– Com a idade mudou, né. Agora é seu Iranildo – brinca.

O que não mudou de lá para cá foi a paixão pelo Flamengo. Rubro-negro convicto, o meia pretende encerrar a carreira apenas com 38 anos e, até lá, cultiva um sonho distante: vestir a camisa do Flamengo mais uma vez.

– Quem sabe se eu fizer um grande Campeonato Carioca, quem sabe um dia, como o Pet voltou, eu volte ao Flamengo. Quem sabe eu vista a camisa mais uma vez para me despedir. O futuro a Deus pertence.

Mas a missão não é fácil. Desde que foi anunciado, no fim do ano passado, Iranildo vem treinando e tentando recuperar a forma física. No primeiro jogo do Campeonato Carioca, contra o Resende, o meia não atuou.

O veterano provavelmente também não será titular nesta quarta-feira, às 16h30m (de Brasília), em Conselheiro Galvão. Mas caso tenha a oportunidade de sair do banco e balançar as redes, Iranildo manda avisar:

– Bota aí que, se eu entrar e fizer gol, não vou comemorar. Não tem como comemorar. Sou flamenguista e tenho muito respeito pelo clube, pela instituição. Quem é Flamengo não muda – garante.

Mas, apesar de a paixão rubro-negra falar alto, a gratidão ao modesto time suburbano não sai da cabeça do ex-Chuchu.

– Tudo que tenho na minha carreira é graças ao Madureira – resume.