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Selarón usou a própria arte para relatar ameaças de morte


10/01/2013

 O pintor e ceramista chileno Jorge Selarón, de 54 anos – encontrado morto na manhã desta quinta-feira na Escadaria do Convento de Santa Teresa, que liga o bairro à Lapa – usou a própria arte para relatar a insegurança que vinha sentindo após ter recebido ameaças do ex-colaborador de seu atelier Paulo Sérgio. Em duas gravuras feitas no dia 25 de novembro do ano passado, o artista diz ter dormido num hotel depois de ter sido ameaçado de morte por Paulo. O texto de próprio punho foi escrito ao lado da imagem – que mistura seu rosto com o corpo de uma negra grávida, tema recorrente em sua obra.

O delegado titular da Divisão de Homicídios (DH), Rivaldo Barbosa, confirmou ter solicitado os dados referentes ao registro de ameaça feito por Selarón na 7ª DP (Santa Teresa), em 24 de novembro passado, véspera do dia em que o artista expressou sua angústia nas gravuras a que O GLOBO teve acesso com exclusividade. Rivaldo disse que todos serão chamados a depor. O delegado fez um pedido para que as pessoas denunciem por meio do Disque-Denúncia (2253-1177) qualquer informação referente ao caso:

— É preciso que as pessoas que conheceram o artista transformem a indignação com a morte dele em denúncias.
Na manhã desta quinta-feira, o delegado William Pena, da (DH), disse que a polícia não descarta qualquer hipótese para a morte do pintor.

Selarón foi encontrado com marcas de queimadura, no mesmo dia em que o GLOBO publicou reportagem com o próprio artista relatando sofrer ameaças. Ao lado do corpo de Selarón – autor do mosaico de cores que transformou os 215 degraus da escadaria num intenso ponto de visitação turística – havia uma lata de solvente de tintas.

 



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