Artes

Rosiska Darcy de Oliveira é eleita para a Academia Brasileira de Letras

Jornalista


11/04/2013

 A jornalista, escritora e militante social Rosiska Darcy de Oliveira foi escolhida, na tarde desta quinta (11), como a nova integrante da Academia Brasileira de Letras, em eleição realizada na sede da instituição, no centro do Rio.

Rosiska venceu no primeiro escrutínio, com 23 dos 38 votos possíveis (duas cadeiras estavam vagas). Ela derrotou outros 14 candidatos, entre eles os poetas Antonio Cícero e Marcus Accioly, que tiveram seis e cinco votos, respectivamente. A historiadora Mary Del Priori foi a quarta colocada, com quatro votos.

"Venceu uma candidata que está à altura da Academia", disse o imortal Eduardo Portella. "É uma escritora, uma mulher pública com grande militância no feminismo sem sectarismo. Ela alia essa condição de escritora, jornalista, militante. Tem alguns livros muito interessantes publicados, me agrada particularmente ‘O Elogio da Diferença’", afirmou Portella.

Natural do Rio, Rosiska é bacharel em direito pela PUC e já trabalhou como jornalista na TV Globo e no "Jornal do Brasil". Durante a ditadura militar, viveu na Suíça, onde se tornou doutura na Universidade de Genebra. Trabalhou no governo federal, presidindo o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.

Seus dois primeiros livros, "Le Féminin Ambigu" e "La Culture Des Femmes", foram publicados na Europa. Entre suas principais obras, estão "Outono de Ouro e Sangue" (2002), "Reengenharia do Tempo" (2003), "A Natureza do Escorpião" (2006) e "Chão de Terra" (2010).

Nelas, discute temas como o desejo da sociedade por status, a organização do cotidiano, a ditadura do corpo, entre outros.

"A Academia sempre escolhe bem. É uma pessoa representativa da área cultural e que vai contribuir grandemente", disse o senador e imortal José Sarney.

Os acadêmicos também destacaram o fato de Rosiska ser apenas a quinta mulher entre os agora 39 membros da ABL. "A cota de mulheres aqui está insuficiente, e a Academia não pode projetar essa imagem machista", disse Portella.

"Até pouco tempo, a Academia não aceitava mulheres, por um argumento que nos parece bizarro, o estatuto dizia que ela era privativa de ‘brasileiros’. Mas tivemos a abertura da Casa com a Raquel de Queiroz e grandes mulheres têm passado por aqui", afirmou Sarney.

A nova imortal, que concorria pela primeira vez, terá assento na cadeira nº 10 da ABL, que já foi ocupada por Rui Barbosa e estava vaga desde a morte de seu último ocupante, o poeta Lêdo Ivo (1924-2012), em dezembro passado.

A posse da eleita será marcada em até 60 dias, segundo o secretário-geral da ABL, Geraldo Holanda Cavalcanti, que presidiu a sessão em substituição à presidente Ana Maria Machado, ausente por motivos particulares.

"Foi uma bela eleição, tivemos candidatos muito fortes", afirmou Cavalcanti. "Rosiska é uma pessoa conhecida nacional e internacionalmente, tem um histórico ímpar em movimentos sociais. Estamos satisfeitos por ter uma pessoa do gabarito dela e com projeção no trabalho social."



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