Política

Ricardo se diz vítima de prisão arbitrária e afirma que áudios de Daniel Gomes foram editados para incriminá-lo

Ex-governador falou após reportagem do Fantástico que denunciou suposto esquema de desvio de recursos na saúde e educação.

23/12/2019


Live com o ex-governador Ricardo Coutinho (Reprodução: Instagram)

O ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) falou primeira vez ao público, na noite deste domingo (22), após a decretação de sua prisão preventiva – ele já está em liberdade por força de um habeas corpus acatado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) – , na sétima fase da Operação Calvário – Juízo Final. O líder socialista se manifestou por meio de live (transmissão ao vivo) em suas contas oficiais no Instagram e Facebook, após reportagem no programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão, que tratou do seu envolvimento em suposto esquema de desvio de recursos públicos na saúde e educação.

PRISÃO ARBITRÁRIA

Ao lado do professor e cientista político Flávio Lúcio, o ex-governador alegou que no decorrer do processo não existem críticas a sua gestão à frente do Governo Estadual, tampouco, da administração no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, cuja gestão foi pactuada com a Cruz Vermelha Brasileira, empresa do empresário Daniel Gomes, objeto principal da investigação da Operação Calvário. Ricardo Coutinho disse que teria problema em ser investigado por atos realizados no exercício do mandato, porém condenou o cerceamento de defesa.

“Se você observar não há uma única crítica à gestão. Como é que se teria no Estado uma organização criminosa agindo sem prejudicar os serviços públicos? Cadê concretamente a crítica sobre o serviço público? Eu acho que é um direito e um dever do Ministério Público investigar, não vejo nenhum problema nisso, e se encontrar provas contra alguém, provas reais, concretas e honestas, que faça o devido processo e a pessoa vá responder e pague!”, frisou.    

Ricardo Coutinho afirmou ser pessoa idônea, se declarou vítima de perseguição política ‘violenta’, e disse que foi o pedido de prisão preventiva decretado pelo desembargador Ricardo Vital foi “arbitrário”.

“Não é possível que prisão preventiva se torne método de interrogatório. E se houvesse alguma prova concreta contra a minha pessoa, aí sim poderia iniciar o processo permitindo o contraditório e se houvesse provas, condenar. Mas, no Brasil estão criando uma espécie que está acima de todas as outras que é prender uma pessoa sem nenhuma prova”, disse.

Ainda segundo Ricardo Coutinho, “prendem por delação. Uma pessoa presa querendo a liberdade a todo custo ou temendo por um familiar seu, faz uma delação em busca de um benefício e coloca um alvo que normalmente se quebra”.

AUSÊNCIA DE CONTEMPORANEIDADE

Ricardo Coutinho ainda elogiou a decisão do ministro do STJ, Napoleão Maia, que concedeu o habeas corpus que culminou na sua liberdade. Segundo ele, o membro do Superior Tribunal de Justiça soube identificar a ausência de contemporaneidade no caso que envolveu seu nome.

“Você não tem os fatos ocorrendo naquele momento. Eu não era mais governador, nem tinha relação com o governador atual. Nós rompemos publicamente. Houve uma perseguição aos melhores quadros que o governo tinha, e, isso é público e notório, e, se forçou a barra para, talvez, o espetáculo de me ver preso para isso ter algum efeito, possivelmente, nas conjunturas políticas e nos debates políticos pelo Brasil a fora”, argumentou.

GRAVAÇÕES EDITADAS

Ainda segundo Ricardo Coutinho, as  gravações apresentadas pelo empresário Daniel Gomes, ex-líder da Cruz Vermelha Brasileira, ao Poder Judiciário teriam sido editadas com o intuito de incriminá-lo. “Peço à Paraíba que antes de julgar, conheça os fatos. Hoje, na internet, todo mundo é um juiz. É preciso ter muito cuidado com isso. Quem me conhece sabe que eu sou uma pessoa correta”, disse.

ACUSAÇÃO DE RECEBIMENTO DE PROPINAS

O ex-governador também comentou sobre o trecho da delação do empresário Daniel Gomes, reproduzida no programa Fantástico, relativa ao repasse de propina no valor de 10% retirado do total acertado em valores por cada contrato firmado entre as organização social e o Estado. Segundo ele, se tratava de valor com destinação à entrada para a construção do Hospital Metropolitano de Santa Rita.

 



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