Política

Ricardo acusa procurador Octávio Paulo Neto, do MPPB/Gaeco, de perseguição pessoal e diz que acusações não têm provas

Ex-governador classificou a citação de esposa em denúncia que envolve o Lifesa como "vingança" do MPPB/Gaeco. “Comprovação clara do lawfare”, diz.

23/05/2020


Ricardo Coutinho falou em Live, neste sábado (23) (Reprodução / Instagram)

Por Ângelo Medeiros / Portal WSCOM

O ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) se pronunciou por meio de live nas redes sociais, neste sábado (23), sobre as denúncias contra ele, no âmbito da Operação Calvário, com destaque para a acusação de envolvimento, junto com outras seis pessoas, em suposta organização criminosa que tramava a  utilização do Laboratório Industrial Farmacêutico da Paraíba (Lifesa),  para lavagem de dinheiro.

Na oportunidade, o socialista voltou a afirmar que é vítima de perseguição pessoal promovida pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Por várias vezes, ele cita, nominalmente, o coordenador do Gaeco, Octávio Paulo Neto, e afirma que a nova acusação traz um agravante, o envolvimento direto de sua esposa, a ex-secretária de Estado das Finanças, Amanda Rodrigues, entre os citados na denúncia. “Essa lógica de sufocar toda a família, é uma comprovação clara do lawfare [guerra jurídica]”, diz.

Segundo Ricardo Coutinho, a denúncia se tornou pública de forma proposital, nesta sexta-feira (22), para encobrir notícias divulgadas horas antes, relativas à prisão de um homem suspeito de extorquir e ameaçá-lo de morte. O fato ocorreu durante a Operação “Timer’, deflagrada pela Polícia Civil da Paraíba, em parceria com a Polícia Civil de Pernambuco e o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Ainda durante a transmissão, Ricardo Coutinho afirmou que o MPPB/Gaeco o acusa de ser o sócio oculto /proprietário de empresa de nome TroySP, que detém 49% do Lifesa, em parceria público-privada na administração do Lifesa, sem qualquer tipo de comprovação.

“O Lifesa é um Laboratório Público e que o Gaeco, ou seja, o Senhor Otávio Paulo Neto, conseguiu a proeza de colocar num papel dizendo que eu sou dono do parceiro privado do Lifesa, que há muitos anos, desde a época de Cássio [ex-governador], teve a abertura para um parceiro privado, que entrou, e depois essa empresa foi comprada por outra empresa”, argumenta.

Assista a live, na íntegra:

 

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Confira trechos das falas de Ricardo Coutinho sobre o caso Lifesa, na íntegra:

SÓCIO DE EMPRESA PRIVADA PARCEIRA DO LIFESA

“O Gaeco me acusa de ser o dono, mas não coloca nenhum papel, não coloca nada. Eu não tenho nem ideia dessa empresa. E, para que isso seja fundamentado, utiliza algo gravado e manipulado, porque o áudio não diz de onde começou a conversa. Já disse antes, que achava que o Gaeco me chamaria para dizer a pessoa, que não vou dizer aqui, mas, o hoje delator [na época das gravações que integram a denúncia], chega e diz, estimulando e me induzindo, que estava sendo extorquido por alguém do Tribunal de Contas. Eu, procurei saber [quem era o autor da extorsão], evidentemente, e ele não me disse, e começou a tentar me envolver, e eu sabendo que estava tentando me envolver. Tal qual aquela máxima de Maquiavel, eu sinto sempre isso, ‘O prazer é dobrado quando você consegue enganar o enganador’. Na verdade era isso, eu queria saber a informação, terminei tendo a informação, mas para isso, ele terminou colocando em cima da mesa, eu não sabia, mas era para gravar, uma sedução sobre uma suposta sociedade. Se, antes da acusação, fosse na Junta Comercial de São Paulo, saberia que não existe sociedade com o parceiro privado do Lifesa, simples. Eu fui e vi, a Procuradoria-Geral da República também viu, não tem parceiro privado, não tem nada, a não ser o estímulo que eu fiz para saber de uma informação que era fundamental, no caso para mim, porque eu precisava de uma certeza, porque eu tinha pistas de quem era, e era alguém que sempre me perseguia. Mas, se me perguntarem, se interessar, porque talvez muitas vezes não interessa, me parece que nesse caso aí, para o Ministério Público interessa só a figura de Ricardo Coutinho”.

“Fui denunciado por ser o sócio oculto, na verdade o dono de uma empresa, o Gaeco escreve que eu sou dono da TroySP. Onde nós estamos? Você pode acusar impunemente? É isso, como se no Brasil não houvesse uma Lei de Abuso de Autoridade, como pode dizer que eu sou dono de alguma coisa, que eu não sou dono de nada?”

CARGA PROBATÓRIA NA DENÚNCIA

“Não existe absolutamente nada. Dentro da denúncia tem como sendo algo grave um percentual de empenhos liquidados, ou seja, o que foi empenhado e o que foi pago, a prova é dizer que 83% do que foi empenhado para o Lifesa, de compra de medicamentos, isso é muito abaixo da maioria dos empenhos no meu governo, que a gente pagava 100%, se você tem planejamento, é para ser pago, gestão pública é assim”.

“Aí eles colocam lá 83%, quem não entende e lê aquilo, acha que tem algo criminoso, mas, não tem nada, e com detalhe, eles pegam de 2017 a 2019, colocam um ano de João Azevêdo no meio, observem, é no ano de João Azevêdo que se paga mais do que o empenhado. A maior parte está em 2019, eles escondem e manipulam isso para, exatamente, fazer com que as pessoas, ou o juiz, ache que tem alguma coisa errado. E, nem essa coisa de 2019 é crime, porque você pode comprar algo, ter o empenho e depois aumentá-lo para comprar mais, porque são medicamentos”.

DESVIO DE FUNÇÃO NO LIFESA

“Acusam o Lifesa de estar desviado de função, por não produzir, e sim por comprar, ou seja, o Lifesa pode comprar e pode vender, essa é a questão, desde que venda abaixo do preço de mercado. Eu estaria cometendo crime, se estivesse defendendo laboratório privado, essa é a questão central. Eu estava estimulando municípios, não é que eu fosse dono, porque não tenho nada, não sou dono nem de um fiteiro, não sou empresário, nunca fui. Sou agente público, então, era como se estivesse estimulando para ter ganho particular. Estava estimulando porque o Lifesa é do Estado, a maior parte, 51% pertence ao Estado, e também por que, se ele conseguisse vender com 22% abaixo do mercado, é claro que para as prefeituras e para o Estado era muito melhor. Se ele conseguisse entregar mais rápido era melhor para o Estado, e eu sei as dificuldades de operar isso, porque dentro de uma máquina, e dentro dos interesses que envolve essa máquina, você tem muitas pessoas que representam os interesses dos laboratórios privados. Essa é a questão”.

CITAÇÃO DA ESPOSA

“O absurdo maior é que minha companheira, minha esposa, foi colocada no meio disso,  pelo fato de estar escrevendo, de estar se posicionando, de estar desnudando na ótica dela, no sofrimento dela, que também é da nossa família, o que está por trás de tudo isso, e, principalmente sobre as fragilidades que essa acusação tem. Ela está sendo acusada de ter feito parte do Conselho Administrativo do Lifesa, era secretária de Finanças. Na época, nós não erámos casados, não tínhamos nenhum tipo de relação, a não ser profissional. E, ele [Octávio Paulo Neto] diz lá, tentando criar uma relação familiar com a suposta e falsa atividade criminosa, ele coloca que a então esposa”.

“Ela é colocada no meio disso como uma vingança, quem fala é ameaçado. Mas, nós não estamos numa ditadura, para desespero de alguns poucos, que me parece que gostariam de mais, basta ver a defesa que algumas autoridades fazem. Essa lógica de sufocar toda a família, é uma comprovação clara do lawfare”.

 

 


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