Educação

Revista NORDESTE entrevista o catedrático Fredic Litto que aborda o crescimento do EAD no Brasil

04/05/2020


Professor Fredic Litto

Por Redação / Portal WSCOM

A edição de número 159 da Revista NORDESTE traz como matéria de capa a explosão do Ensino a Distância (EAD) nos últimos anos, no Brasil e no Mundo, principalmente, após a pandemia de coronavírus, que fechou temporariamente escolas e faculdades, e forçou as pessoas a cumprirem medidas de isolamento social, como forma de combater à Covid-19.

Para tratar do tema, o jornalista Walter Santos entrevistou o veterano professor catedrático, Fredic Litto, naturalizado brasileiro há décadas, um profundo estudioso das diversas formas de educação, que revela o mundo da EAD com profundidade e projeção contextualizada do segmento no Brasil.

A edição on-line da Revista pode ser acessada por link disponível no Portal WSCOM (CLIQUE AQUI para acessar) e no site www.revistanordeste.com.br.

Confira abaixo a entrevista, na íntegra:

UMA LEITURA ATUAL DOS EFEITOS DO COVID-19 NA EXPLOSÃO DA EAD NO BRASIL E NO MUNDO

Estudioso e profundo conhecedor da educação, Fredic Michael Litto revela o mundo da EAD com profundidade e projeção contextualizada do segmento no Brasil

Por WALTER SANTOS

A história da Educação à Distância no Brasil se confunde na essência com a dedicação em vida de um veterano professor catedrático, Fredic Litto, estrangeiro há décadas naturalizado brasileiro. Em Entrevista Exclusiva, ele comenta as várias fases do processo de implantação da EAD no pais e no mundo, sobretudo depois da explosão de acessos e multiplicação com alta demanda superando antigo preconceito, inclusive nas universidades federais do pais. Eis a íntegra, a seguir:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Revista NORDESTE – A pandemia do coronavírus provocou tamanho impacto no Ocidente que, entre tantas implicações tratadas como novidade mesmo sem sê-las foi a adesão em massa de universidades públicas ao ensino à distância. Qual o efeito pós fase de disseminação do vírus?

Fredric Michael Litto – É bem provável que ocorra uma forte migração por parte dos estudantes do ensino pós-obrigatório (após ensino médio) para ofertas virtuais do ensino-aprendizagem. Depois de seis ou mais meses de experiência com a educação a distância (EAD), seja em cursos totalmente em espaços virtuais ou híbridos (misturando o presencial com o virtual), eles vão reconhecer a grandes virtudes da EAD: inclusividade (diminuindo a grande desigualdade que reina no país), flexibilidade (alterando tempo e espaço no uso), escalabilidade (podendo atingir de 10 a 100.000 aprendizes em cada edição de um curso, dependendo da tecnologia usada), interatividade (humana/automatizada) e personalizada (dirigindo o conteúdo ao aprendiz em formatação que combina com o “estilo epistemalógico” previamente identificado do aluno). Quem ficará exclusivamente na aprendizagem presencial é quem não de adapta à motivação, autonomia e disciplina exigidas na EAD. Não entro na discussão de custo como motivador de mudança para a EAD porque envolve considerações como sofisticação tecnológica usada pela  emissora do curso e o “branding” da sua marca.

NORDESTE – Ao que parece, a realidade do medo do contágio foi maior do que o medo e o preconceito existentes em relação ao EAD. Por que, na sua opinião, a inteligência acadêmica construiu esse receio ao longo do tempo?

Fredric Michael Litto – Uma combinação de desconhecimento real da modalidade EAD aliada à sua associação com cursos por correspondência em áreas de menor prestígio acadêmico (taquigrafia, datilografia, conserto de rádios e tv´s), reserva de mercado (manter reduzido o número de membros da guilda), nostalgia para uma fictícia época de idealizada relação entre docentes e discentes.

 

NORDESTE – Voltando a análise do Brasil em si, o novo contexto prova que não houve resistência às medidas de uso virtual nas universidades federais, por exemplo, que aderiram rapidamente. Qual o significado desta realidade no futuro da EAD no país?

Fredric Michael Litto – Houve resistência, sim, durante muito tempo, da parte das universidades federais, que, com a exceção de duas ou três, recusaram incorporar integralmente a EAD nas suas instituições, colaborando sem grande empenho nas suas participações no funcionamento da Universidade Aberta do Brasil-UAB. Seu desdém pela modalidade foi responsável pelo fato de que a UAB foi a última “universidade aberta” a ser criada por um país com mais de cem milhões de habitantes, e, mais sério, não é uma verdadeira universidade (mas, sim, um “sistema” consorcial com mais de 100 instituições públicas que dão os cursos e emitam os diplomas), e não está “aberta” (para ingressar é obrigatório passar num exame cuja dificuldade é a mesma para entrar numa universidade federal presencial)—a única que se encontra nessa autocontradição no mundo. Se isso não for consertado, a UAB não estará preenchendo a missão para qual foi criada, e a centenária desigualdade que reina no país continuará. 

NORDESTE – O Sr. representa a mais importante entidade de EAD do Brasil com reconhecimento internacional. Como encarar e desfazer o preconceito da disseminação do conhecimento via método à distância?

Fredric Michael Litto – Através de conferências, congressos, simpósios e publicações, como nossa revista científica e o lançamento em nosso site [www.abed.org.br] de mais de 3.500 trabalhos científicos apresentados em nossos conclaves, comunicados aos nossos associados, e à sociedade em geral, do que seja “qualidade” em EAD, bem como as inovações ocorrendo na modalidade dentro e fora do país. Unindo profissionais e instituições provindo das escolas públicas e privadas, universidades públicas e privadas, bem como corporações públicas e privadas. Representamos, assim, uma comunidade vibrante e altamente comunicativa apaixonada pela EAD, e tentamos, a toda hora, demonstrar as magníficas qualidades democráticas e de eficácia da aprendizagem remota, quando é bem feita.

NORDESTE – Quem são os teóricos brasileiros e internacionais catalogados pelo Sr. Como principais indutores da EAD no País?

Fredric Michael Litto – Embora tenhamos brasileiros de grande qualidade dedicados à EAD, e conhecidos dentro e fora do país, seria muito injusto da minha parte fazer uma lista pois correria o risco de deixar alguém de fora.

NORDESTE – O sistema EAD sai do coronavírus como modelo indispensável? O que representará no mercado da educação brasileira?

Fredric Michael Litto – Vai dar, com certeza, uma “chacoalhada” no mercado porque algumas entidades públicas e privadas na educação com vários anos de experiência no uso da EAD, terão a possibilidade de avançar mais rapidamente, ocupando os espaços novos que serão criados quando a sociedade voltar para seu estado normal. Certamente, veremos o desaparecimento de algumas e a formação de novas parcerias. Provavelmente, haverá uma diminuição no número de instituições, públicas e privadas, causada não apenas pela assimilação dos menores e despreparados pelos mais forte e preparados, mas também por causa da gradativa redução da demografia brasileira—menos nascimentos, e consequentemente menos necessidade de instituições de ensino e professores. O lado bom disso é que instituições vão poder ser mais seletivas ao escolher seus docentes, o que certamente beneficiará a educação como um todo.

NORDESTE – Na sua opinião, quando o ensino público abrigará mais intensamente os métodos do EAD e, nesse conceito, qual o futuro do tratamento das universidades ao ensino à distância?

Fredric Michael Litto – No tocante ao ensino básico, o país já tem bons exemplos de uso de EAD nas redes públicas estaduais do Ceará, Pernambuco e São Paulo; e no ensino superior, as entidades estaduais na Bahia, Maranhão e Minas Gerais, têm se destacado com bons resultados apresentados nos conclaves da ABED .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


NORDESTE – Os dados mostram que a Fundação Roberto Marinho cumpre papel predominante na aplicação da EAD através de telecursos.  À quem do ponto-de-vista pedagógico e inovador atribuir tamanha ousadia?

Fredric Michael Litto – Não sei.

NORDESTE – Qual a sua projeção da alfabetização no País com a adesão em massa do EAD? Como atestar validade tanto quanto no método presencial?

Fredric Michael Litto – Curiosamente, o uso de telefones celulares e computadores pelos jovens de tenra idade exige uma alfabetização não-formal muito interessante.  Acredito que quando novas gerações de crianças chegam às mãos dos especialistas de alfabetização, esses últimos terão cada vez mais facilidade no seu trabalho porque os jovens em grande parte se autoalfabetizaram.  Claro, levar os jovens a ir além das gírias e abreviações telegráficas e entrar nas comunicações mais formais, provavelmente teremos que obrigá-los a ler livros, sejam impressos ou ebooks.

NORDESTE  – No mundo globalizado, há espaços para Universidade internacional de formação de líderes à base fundamental da Ética?

Fredric Michael Litto – Já existem entidades se concentrando na formação continuada de pessoas em torno da questão da comportamento ético.  Normalmente não são uma universidade só para isso, mas entidades dentro de universidades, ou ONGs independentes.  Para mais completude nessa área, o Goggle dispõe de informações atualizadas.


Os comentários a seguir são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.