Justiça

Polícia Federal prende em Portugal suspeito de ataque hacker ao TSE

Em conjunto com a Polícia Judiciária Portuguesa, a PF cumpre ainda um mandado de busca e apreensão no país europeu; agentes também cumprem 3 mandados de busca e 3 medidas cautelares de proibição de contato entre investigados estão sendo cumpridos em SP e MG.

28/11/2020


(Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Estadão



A Polícia Federal prendeu neste sábado, 28, em Portugal, um cidadão português suspeito de promover o ataque hacker contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no primeiro turno das Eleições de 2020. A ação foi deflagrada em cooperação com a Polícia Judiciária Portuguesa – Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica.

O Estadão apurou com fontes ligadas às investigações, tanto no Brasil como em Portugal, que o preso é o hacker identificado como Zambrius. Ele é o líder do CyberTeam, grupo que reivindicou a autoria de ataques ao TSE, ao Ministério da Saúde e ao Tribunal Regional da 1ª Região.

Em e-mail enviado à reportagem na sexta-feira, 27, disse ter agido por diversão contra o TRF-1. “O ataque efetuado no TRF1 foi por diversão e para demonstrar as vulnerabilidades, e sim, o grupo em causa está ligado ao CyberTeam”, escreveu.

Zambrius estava em prisão domiciliar e usava uma tornozeleira eletrônica. Conhecido pela polícia de Portugal, foi detido pela primeira vez em 2017, aos 16 anos de idade.

Outros três mandados de busca e apreensão e três medidas cautelares de proibição de contato entre investigados estão sendo cumpridos no Brasil, nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Além da prisão de um suspeito em Portugal, um mandado de busca e apreensão também está sendo executado no país europeu.

A Polícia Federal ressaltou que ‘não foram identificados quaisquer elementos que possam ter prejudicado a apuração, a segurança ou a integridade dos resultados da votação’.

As ações fazem parte da Operação Exploit, que tem como objetivo, segundo a PF, ‘desarticular a associação criminosa que teria promovido os ataques hackers ao TSE no primeiro turno das Eleições 2020’. O ataque resultou no acesso e na divulgação ilegal de informações de servidores públicos do TSE. Após o ataque, o TSE reforçou seu sistema de segurança digital para o segundo turno das eleições, que ocorre neste domingo, 29.

O nome da operação é uma referência ao ‘exploit’, palavra usada para definir uma parte de software, um pedaço de dados ou uma sequência de comandos que tomam vantagem de um defeito a fim de causar um comportamento acidental ou imprevisto no software ou hardware de um computador ou em algum dispositivo eletrônico.

Os mandados cumpridos no Brasil foram expedidos pelo Juízo da 1ª Zona Eleitoral do Distrito Federal, após representação feita pela Polícia Federal e manifestação favorável da 1ª Promotoria de Justiça Eleitoral.

Segundo informações da PF, o inquérito policial aponta que um grupo de hackers brasileiros e portugueses, liderados por um cidadão português, foi responsável pelos ataques criminosos aos sistemas do TSE há duas semanas. A Polícia Federal também apura outras atividades criminosas do grupo.

Os crimes apurados no inquérito policial são os de invasão de dispositivo informático e de associação criminosa, ambos previstos no Código Penal; além de outros previstos no Código Eleitoral e na Lei das Eleições.

Segundo a polícia portuguesa, os investigados formam uma rede criminosa constituída para atacar, de maneira coordenada, não apenas órgãos públicos.

“Faziam parte de diferentes redes criminosas, agora afetadas por esta operação policial, e atuavam concertada e transnacionalmente, atacando funções de Estado, infraestruturas críticas e interesses econômicos diversos”, disse, em comunicado.

O hacker português preso, identificado como Zambrius, tem 19 anos. Ele havia sido alvo das autoridades daquele País pela última vez em abril, também por envolvimento em crimes cibernéticos. Os investigados brasileiros têm entre 19 e 24 anos.

Agora, segundo fontes da polícia de Portugal, Zambrius , que não teve o nome revelado, será levado a um juiz, que poderá determinar novas medidas restritivas. Até então, o hacker usava uma tornozeleira eletrônica e não tinha acesso a computadores. Segundo ele, os ataques a instituições brasileiras foram feitos por meio de um celular.

Confira a íntegra da nota da polícia portuguesa sobre a Operação Exploit

“A Polícia Judiciária, em inquérito titulado e dirigido pelo Departamento Central e Investigação e Ação Penal (DCIAP) e em sintonia com a Polícia Federal Brasileira, efetuou uma operação policial internacional com o objetivo de causar disrupção em grupos organizados que operavam no ciberespaço.

Dessa operação resultou a identificação e detenção de 1 cidadão português com 19 anos de idade, em território nacional, enquanto que em território Brasileiro, foram identificados e detidos 3 indivíduos, com idades compreendidas entre os 19 e os 24 anos, que se dedicavam à prática continuada de crimes de Acesso Indevido, dano informático e sabotagem informática.

Os detidos faziam parte de diferentes redes criminosas, agora afetadas por esta operação policial, e atuavam concertada e transnacionalmente, atacando funções de Estado, infra-estruturas críticas e interesses económicos diversos.

Da cooperação entre estas autoridades, foram apreendidos meios informáticos e recolhida informação pertinente.

A Polícia Judiciária prossegue as investigações para deteção e identificação de outros responsáveis por estes Modi Operandi.

O detido português vai ser presente às autoridades judiciais para efeitos de primeiro interrogatório judicial, para efeitos de aplicação de medida de coação.”



Os comentários a seguir são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.