Justiça

Padre Egídio comparece ao Gaeco, mas fica em silêncio diante dos promotores


01/11/2023

Portal WSCOM

O Padre Egídio de Carvalho Neto permaneceu em silêncio diante dos promotores do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público da Paraíba (MPPB), nesta quarta-feira (1º). Ele é suspeito de envolvimento em um suposto esquema de desvio de recursos do Hospital Padre Zé e da Ação Social Arquidiocesana (ASA), instituições que ele comandava até recentemente. O uso do direito ao silêncio ocorre após o juiz da 4ª Vara Criminal de João Pessoa, José Guedes Cavalcanti Neto, rejeitar um pedido de prisão preventiva feito pelo Ministério Público.

Anteriormente, o religioso havia solicitado a oportunidade de prestar depoimento ao Gaeco, mas não teve seu pedido atendido. No entanto, neste momento adota à estratégia de permanecer em silêncio. No início do mês passado, o Padre Egídio foi alvo da “Operação Indignus”, que também envolveu duas ex-diretoras do Hospital Padre Zé, Jannyne Dantas (ex-diretora administrativa) e Amanda Duarte (ex-tesoureira). O Gaeco solicitou a prisão das duas, mas o pedido foi negado pela Justiça. A operação resultou na execução de oito mandados em João Pessoa, um no Conde e dois em São Paulo.

A investigação do Gaeco aponta para uma confusão patrimonial entre os bens e valores das instituições envolvidas e um dos investigados, com a aquisição de diversos imóveis de alto padrão, aparentemente sem fonte de financiamento lícita. As condutas suspeitas indicam a possível prática dos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, peculato e falsificação de documentos públicos e privados.

O escândalo veio à tona após o desaparecimento de celulares doados ao Hospital Padre Zé pela Receita Federal do Brasil, que seriam leiloados para financiar a instituição de saúde. Um funcionário do hospital, Samuel Rodrigues, chegou a ser preso, mas posteriormente teve sua detenção convertida em medidas cautelares. Uma tentativa de acordo de delação premiada por parte dele não foi aceita pelo Ministério Público.

Além disso, a investigação levantou suspeitas de enriquecimento ilícito por parte do Padre Egídio, que é apontado como proprietário de imóveis de luxo em várias cidades, incluindo João Pessoa e São Paulo, chamando a atenção das autoridades devido ao alto valor desses imóveis. O religioso foi afastado de suas funções no hospital, na ASA e na paróquia onde atuava por decisão da Arquidiocese da Paraíba, que tem colaborado com as investigações.



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