Economia

OPINIÃO: ‘A Covid-19 e os impactos no setor de turismo’, por Cássio da Nóbrega

O artigo semanal é resultado de uma parceria entre o Portal WSCOM e o Departamento de Economia da Universidade Federal da Paraíba.

26/06/2020


Cássio da Nóbrega Besarria

Por Cássio da Nóbrega Besarria

O setor de turismo é de grande importância para a geração emprego e de renda na Paraíba. Foi um dos primeiros afetados pela pandemia do coronavírus e será um dos últimos a retomar a normalidade de suas atividades. Dada a natureza do setor, já era esperada uma redução nos níveis de receitas e volume das atividades relacionadas ao setor de turismo no país. Os dados sobre as atividades turísticas mostram que a desaceleração teve início a partir do mês de março desse ano.

Além disso, o índice de receita nominal das atividades turísticas para o Brasil teve uma redução de 68,73% de janeiro a abril de 2020 e uma queda de 67,61%, quando comparamos abril de 2020 com o mesmo período no ano passado. A unidade federativa com maior redução nas receitas de atividades turísticas foi o Rio Grande do Sul, com queda de 75,84% no indicador. O índice de volume das atividades turísticas também segue a mesma tendência das receitas. O indicador aponta que o volume das atividades turísticas no Brasil caiu 68,31% entre janeiro e abril de 2020 e redução de 67,39% quando comparado a abril de 2019. O estado do Rio Grande do Sul também apresentou a maior queda no volume das atividades turísticas, com redução de 75,94%. Entretanto, os fortes decréscimos desses dois indicadores não se limitaram ao RS, pois as demais unidades federativas que são consideradas pelos indicadores de receita e volume do setor de turismo (CE, PE, BA, MG, ES, RJ, SP, PR, SC, GO e DF) também apresentaram reduções acima dos 60%.

Ainda em relação à atividade turística, no que diz respeito ao número de empregados ocupados nos estabelecimentos voltados a atividade em questão, mostramos que no ano de 2018 cerca de 47,51% (queda de 2,1% em relação ao ano anterior) dos estabelecimentos turísticos não possuíam nenhum empregado, sendo classificados como conta própria.

Ademais, nesse mesmo ano, 29% dos estabelecimentos possuíam até 4 (quatro) pessoas empregadas, 12,51% entre 5 e 9 pessoas, 6,47% ocupavam entre 10 e 19 e apenas 4,52% das empresas relacionadas ao turismo empregavam acima de 20 funcionários. Esse dado mostra predominância de pequenos negócios no que diz respeito a atividade turística no estado da Paraíba. Ressalta-se que 57% dos estabelecimentos comerciais relacionados à atividade turística do estado estão concentrados em João Pessoa (42%) e Campina Grande (15%). Por fim, chamamos a atenção para o fato de os principais destinos de turistas no Brasil serem as regiões Nordeste e Sudeste, juntas representaram mais de 70% da procedência do fluxo em 2019.

Para esse mesmo ano, pouco mais de 4% do fluxo de hóspedes por Estado de residência permanente estiveram na Paraíba. No estado paraibano, o turismo responde por uma parcela relevante no número de empregos. Para os anos de 2017 e 2018, em média, mais de 2400 vagas de emprego na Paraíba foram oriundas de alojamentos. Outro destaque são as agências de turismo que, para esse mesmo período, foram responsáveis por mais de 460 empregos locais. A cidade de João Pessoa é o principal destino turístico no estado. Em janeiro de 2019, a ocupação hoteleira na capital ultrapassou 77% de sua capacidade.

 

 

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