Internacional

Operação matou 12 reféns, diz governo da Argélia

Ataque

18/01/2013


 A operação do Exército da Argélia contra o grupo islamita que sequestrou centenas de pessoas na quarta-feira em um campo de gás no deserto do Saara provocou a morte de 12 reféns, entre estrangeiros e argelinos, anunciou nesta sexta-feira (18) o ministro de Comunicações do país, Mohamed Said.

A APS, agência oficial argelina, afirmou, citando uma fonte de segurança, que 18 terroristas também morreram e afirmou que o registro de mortes é "provisório".

As informações sobre a crise dos reféns, iniciada na quarta-feira, são contraditórias.

A agência mauritana ANI afirma que 7 estrangeiros seguem em mãos dos militantes.

Mais cedo, a APS anunciou que as forças especiais argelinas libertaram cerca de 100 reféns estrangeiros que estavam em poder do grupo, mas outros 30 continuavam desaparecidos. Anteriormente, uma fonte havia dito à APS que haviam sido soltos cerca de 650 reféns, entre eles ao menos 66 estrangeiros.

Os militantes responsáveis pelo sequestro, ligados à rede terrorista da Al-Qaeda, ameaçaram realizar mais ataques a instalações do setor de energia.

Enquanto líderes ocidentais clamam por detalhes da ação argelina, sobre a qual dizem não ter sido consultados, uma fonte local disse que a planta de gás continuava sitiada por militares, com alguns reféns no interior, segundo a agência Reuters.

Fontes locais afirmaram na quinta-feira que 34 reféns, incluindo alguns ocidentais, foram mortos durante o ataque, junto com pelo menos 11 sequestradores, que disseram ter invadido o local numa retaliação pela intervenção militar francesa contra militantes islâmicos que ocupam parte do território do vizinho Mali.

Uma fonte disse à Reuters que cerca de 100 dos 132 estrangeiros reféns foram libertados. O destino dos outros, se eram mantidos reféns ou se foram mortos, ainda não estava claro.

A crise representa uma séria escalada no conflito no noroeste da África, para onde tropas francesas foram enviadas na semana passada para combater a tomada da Timbuktu e outras cidades do Mali por grupos islamistas.

Além disso, pode ser devastadora para a indústria petrolífera da Argélia, num momento em que o país se recupera da guerra civil dos anos 1990.

O governo dos EUA informou apenas que alguns norte-americanos estavam entre os reféns, mas não deu detalhes, e uma fonte local disse que um avião do país aterrissou nas imediações do complexo nesta sexta-feira para remover norte-americanos.

Reforçando a tese de líderes africanos e ocidentais que veem uma insurgência islâmica multinacional no Saara, uma fonte oficial da Argélia disse que apenas 2 dos 11 militantes mortos eram argelinos, inclusive o líder do esquadrão.

Foram encontrados os corpos de três egípcios, dois tunisianos, dois líbios, um malinês e um francês – todos apontados como sequestradores, segundo a fonte.

O grupo dizia ter dezenas de guerrilheiros no local, e não ficou claro se algum deles conseguiu escapar.

Retirada

Centenas de funcionários do setor petroleiro foram retirados na quinta da Argélia em três voos, e outro avião deve deixar o país africano nesta sexta, anunciou a empresa britânica BP em um comunicado, de acordo com a AFP.

Um porta-voz da companhia disse que as pessoas desalojadas trabalham em diferentes instalações de petróleo ou de gás, incluindo o campo em In Amenas no Saara argelino, onde um grupo islamita mantêm centenas de reféns.

O primeiro voo chegou na tarde de quinta-feira a Londres e outros dois pousaram durante a oite na cidade espanhola de Palma de Mallorca, de onde seus ocupantes deveriam ser levados nesta sexta para seus destinos finais. A companhia especificou que, além do quarto voo, outros serão organizados se necessário.

O grupo britânico se apresenta como o maior investidor estrangeiro na Argélia. Está presente nos campos de exploração de gás de In Salah, 1.200 km ao sul de Argel, no Saara, e em In Amenas.

O secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, disse nesta sexta-feira que os militantes que atacarem os EUA e seus cidadãos serão perseguidos e encontrados, no primeiro comentário de uma autoridade dos EUA sobre o ataque com reféns realizado por combatentes islâmicos na Argélia.

O complexo era fortemente protegido, com acesso controlado e um acampamento militar com centenas de homens armados entre a usina de processamento e as acomodações, afirmou Andy Coward Honeywell, que trabalhou lá em 2009, falando à BBC.

Ameaça

A crise representa um sério dilema para a França, ex-potência colonial na Argélia, e seus aliados, num momento em que tropas francesas atacam os aliados dos sequestradores no Mali, uma outra ex-colônia francesa.

Os militantes que lutam no deserto mostraram estar mais bem treinados e equipados do que a França previa, disseram à Reuters diplomatas na ONU. A organização estima que 400 mil pessoas poderiam fugir do Mali para os países vizinhos nos próximos meses.

Na Argélia, os sequestradores alertaram a população para que fique longe de instalações de empresas estrangeiras no setor de óleo e gás, ameaçando desfechar mais ataques, segundo informou a agência de notícias ANI, da Mauritânia, citando um porta-voz do grupo.

O comandante do sequestro na Argélia é Mokhtar Belmokhtar, um veterano da Guerra do Afeganistão na década de 1980 e da sangrenta guerra civil da Argélia dos anos 1990, segundo autoridades argelinas. Aparentemente, ele não esteve presente no ataque.

Balmokhtar subiu de status entre os grupos islamitas no Saara, os quais se apoderaram de armas e ganharam novos adeptos em decorrência do caos na Líbia. As potências ocidentais temem que a violência se espalhe muito além do deserto.

O argelino Anis Rahmani, um especialista em segurança autor de vários livros sobre o terrorismo e editor do diário Ennahar, disse à Reuters que cerca de 70 militantes estavam envolvidos na operação na Argélia, o grupo de Belmokhtar, que partiu da Líbia, e o menos conhecido Movimento da Juventude Islâmica no Sul.

"Eles estavam portando armas pesadas, incluindo fuzis usados ​​pelo Exército líbio durante o regime de (Muammar) Kadhai", disse ele. "Eles também tinham lança-granadas e metralhadoras."

Trabalhadores argelinos formam a espinha dorsal de uma indústria de petróleo e gás, que tem atraído empresas internacionais nos últimos anos, em parte por causa da segurança no estilo militar.

Mali

O ataque que resultou na situação de sequestro começou na madrugada de quarta em um sítio gasífero operado pelas empresas nacional Sonatrach com as companhias British Petroleum, britânica, e Statoil, norueguesa, em Tiganturin, a 40 quilômetros de In Amenas, não muito longe da fronteira com a Líbia.

Os militantes se identificaram como integrantes da rede terrorista Al-Qaeda e afirmaram à France Presse que o sequestro foi feito por grupos da rede terrorista procedentes do norte do Mali.

Os agressores exigiram o fim da campanha militar francesa no Mali, onde 1.400 soldados franceses fazem uma ofensiva terrestre contra os rebeldes, uma semana depois de o governo francês abrir fogo contra os militantes islamitas a partir do ar.

O país africano está dividido desde o ano passado, após rebeldes ligados à Al-Qaeda terem dominado o norte do território.

A Argélia permitiu que a França utilizasse seu espaço aéreo durante a intervenção militar iniciada na semana passada contra os rebeldes islamitas no Mali. Mas o ministro argelino do Interior, Dahou Ould Kablia, disse a um jornal local que o grupo agressor veio da Líbia.


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