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Menino engole pilha e sofre necrose em parte do esôfago


28/03/2013

O menino Isael Arcângelo da Silva Salomão, 4 anos, engoliu uma pilha usada em controles remotos, redonda, semelhante a uma moeda, enquanto brincava com o irmão caçula em Pedro Gomes, a 296 km de Campo Grande, no último sábado (16). O líquido que fica dentro do objeto vazou, necrosando o esôfago do garoto, que foi encaminhado ao Hospital Regional da capital sul-mato-grossense.

De acordo com o pediatra que está atendendo Isael em Campo Grande, Alberto Cubel Júnior, o paciente pode ter graves sequelas. Ele está se alimentando por meio de sonda, que será removida nesta sexta-feira (29).

O pai da criança, Isael Rodrigues Salomão, contou ao G1 que o incidente aconteceu durante um momento de desatenção. “Deixei os dois lá no quarto e, depois de uns 10 minutos, os dois vieram correndo pra cozinha, o Isael chorando e falando o que tinha acontecido, que tinha engolido a pilha”, disse.

Imediatamente, segundo ele, o menino foi levado ao hospital local, onde foi atendido pelo plantonista Lissandro Vargas. O médico, conforme Salomão, afirmou que não tinha necessidade de fazer radiografia e receitou antiácido e remédio para dor.

“Disse que o objeto já tinha descido e que seria evacuado. Ainda explicou que uma substância corrosiva podia vazar da pilha e isso poderia ser fatal, mas, liberou meu filho”, explicou.

Consequências

Na segunda-feira (18), Isael foi levado novamente ao mesmo hospital reclamando de dores e com vômitos frequentes. Um outro médido que trabalha no local e estava de plantão pediu o exame de Raios x. “Foi constatado que a pilha estava lá. Então viemos para Campo Grande no mesmo dia e os médicos retiraram a pilha”, explica o pai.

De acordo com Cubel, que está acompanhando o paciente, durante o período de cicatrização, o garoto pode desenvolver estenose esofágica, que é o estreitamento do canal do esôfago. “O esôfago é um tubo e, durante a cicatrização dessas lesões, pode ser que o esôfago feche ou se estreite, por isso, temos que acompanhar todo esse processo de recuperação”.

Segundo ele, só em março, o Hospital Regional, referência para este procedimento, atendeu quatro crianças em casos semelhantes.

{arquivo}Processo administrativo

Vargas disse, em resposta às declarações do pai do menino, que Salomão não tinha certeza se o filho realmente havia engolido o objeto.

Sobre a necessidade de Raios x, ele relata que o procedimento seria necessário se a criança tivesse algum efeito por conta da ingestão. O médico ainda afirmou que todos os procedimentos tomados foram registrados no prontuário médico.

O hospital municipal de Pedro Gomesx, onde a criança recebeu os primeiros atendimentos, informou que vai abrir um processo administrativo para apurar a conduta do médico Lissandro Vargas e verificar se houve falha no atendimento.



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