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Mais de 50 países se unem contra veto dos EUA à resolução do Brasil e ONU convoca reunião de emergência

Projeto apresentado pelo Brasil ao Conselho de Segurança da ONU buscava uma "pausa humanitária" em Gaza. Governo brasileiro confirmou a convocação da reunião


20/10/2023

Plenário das Nações Unidas (Foto: Reprodução/Nações Unidas)

Brasil 247

Mais de 50 países se uniram para convocar uma reunião de emergência da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de mobilizar apoio político para a proteção do povo palestino diante dos ataques de Israel a Gaza, diz o jornaista Jamil Chade em sua coluna no UOL. No início da tarde desta sexta-feira (20), o governo do Brasil confirmou a reunião extraordinária: “foi informado à Presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) [exercida pelo Brasil] que o Presidente da Assembleia Geral tem a intenção de convocar uma reunião formal do décimo período extraordinário de sessões de emergência da Assembleia Geral. Este anúncio se produz após o uso de um veto sobre o projeto de resolução sobre a situação no Médio Oriente, incluindo a questão Palestina”.

A iniciativa conjunta, considerada algo raro na diplomacia internacional, ocorreu após o governo dos Estados Unidos vetar um projeto apresentado pelo Brasil no Conselho de Segurança da ONU, que buscava uma “pausa humanitária” nos combates entre as Forças de Defesa de Israel (IDF) e grupo palestino Hamas, além da evacuação de estrangeiros daquele território. O veto foi explicado pela Casa Branca devido à insistência na autodefesa de Israel, aspecto não abordado na resolução de caráter humanitário.

O custo político para os EUA tem sido elevado. “A iniciativa [de levar a questão à Assembleia Geral] ganhou o apoio de mais de 50 países, entre eles Argélia, Indonésia, Arábia Saudita, Marrocos, Turquia, Moçambique, Nigéria, Camarões e Paquistão. No Conselho de Segurança, uma aprovação de uma condenação apenas pode ocorrer se não houver o veto de todos os cinco membros permanentes da entidade. Mas, na Assembleia Geral, a regra é outra: basta que uma resolução tenha a maioria dos 192 votos”, destaca Chade.

Ainda segundo a reportagem, os govenos envolvidos na iniciativa enviaram uma carta para a presidência da Assembleia Geral, o Grupo Árabe e o Grupo da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI) nas Nações Unidas, em Nova York, em que “solicitam a retomada da décima sessão especial de emergência da Assembleia Geral após o veto lançado em 18 de outubro de 2023 por um Membro Permanente do Conselho de Segurança sobre um projeto de resolução que aborda a grave situação do Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental”.

A Casa Branca, ao vetar o projeto brasileiro, enfrenta críticas, e a situação lembra a estratégia usada anteriormente pelos EUA contra os russos. No episódio envolvendo a guerra na Ucrânia, a Assembleia Geral foi acionada para aprovar uma resolução condenando a Rússia.



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