Economia & Negócios

Lucro real de BB, Bradesco e Itaú tem 1ª queda em 15 anos


04/03/2013

Apesar de terem apresentado altos lucros nominais em 2012, os três maiores bancos de capital aberto do país –Banco do Brasil, ItaúUnibanco e Bradesco– tiveram queda no lucro ajustado pela inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

No ano passado, a lucratividade dos três bancos apresentou diminuição de 6,26% em relação à do ano anterior –o equivalente a R$ 2,49 bilhões. Foi a primeira queda desde 1996, segundo levantamento feito pela consultoria Economatica.

Em 2012, o lucro real consolidado dos bancos foi de R$ 37,18 bilhões. No ano anterior, havia sido de R$ 39,67 bilhões. O resultado menor do ano passado interrompeu uma sequência de 15 anos de crescimento da lucratividade dos três bancos ajustada pela inflação.

Em 1996, eles tiveram juntos prejuízo de R$ 16,15 bilhões, mas esse valor foi ocasionado pelo reconhecimento de perdas efetuado pelo BB no valor de R$ 19,8 bilhões, segundo a consultoria. No mesmo ano, o Itaú teve lucro de R$ 1,56 bilhões e o Bradesco, de R$ 2,17 bilhões.

Para o estudo, a consultoria ajustou todos os lucros históricos pela inflação medida pelo IPCA desde 1986 até dezembro de 2012. Em 86, primeiro ano analisado, os três bancos juntos tiveram lucro de R$ 4,08 bilhões.

CENÁRIO

A economia global tem passado por um período desafiador, com a dificuldade das grandes potências em retomar o crescimento sustentável, em meio a diversos impasses políticos. Isso impacta fortemente o setor bancário mundial, inclusive aqui no Brasil.

Por causa disso, segundo especialistas, a queda nos lucros dos bancos já era esperada, mas as operações dessas instituições mostraram sinais que alimentam boas perspectivas para o futuro.

"A crise ainda não passou, mas o Brasil tem conseguido de alguma forma amenizar seus efeitos. Mesmo sendo natural a queda no lucro dos bancos, alguns fatores mostram que o setor está conseguindo segurar os impactos negativos do cenário macroeconômico", disse Elad Revi, analista da Spinelli Corretora.

"A taxa de inadimplência, por exemplo, é um desses sinais, pois, apesar de ter subido, ficou em níveis confortáveis tanto para os bancos privados quanto os públicos no ano passado", completou Revi.

De acordo com o analista, não há motivos para o pequeno investidor que possui as ações do banco ficar preocupado.

"Pelo contrário, acho que eles podem avaliar o momento para manter os papéis ou até comprar mais, já que em um horizonte de dois a três anos imagino que esses investidores conseguirão aproveitar da retomada da lucratividade do setor bancário."

Mesmo com redução no lucro, a analista Karina Freitas, da Concórdia Corretora, afirma que a remuneração para os investidores segue favorável.

"Para o Banco do Brasil, vejo com bons olhos a carteira de dividendos (parte do lucro da empresa distribuída ao acionista). O banco paga esse provento trimestralmente e possui um yield (taxa de rendimento) positivo. As remunerações são atraentes. No caso do Itaú, o yield é menor, mas pago semestralmente."

OPORTUNIDADE

O analista da Spinelli avalia que este momento também pode ser oportuno para quem ainda não tem ações do setor bancário. "Como o desempenho financeiro dos bancos tem sofrido, suas ações também mostram baixa. Mas, uma vez que as perspectivas são otimistas, acredito que o investidor pode aproveitar os preços menores dos papéis para comprá-los", disse.

As ações do segmento financeiro operam em sentidos opostos na Bolsa brasileira nesta tarde. Às 16h34 (horário de Brasília), os papéis do Bradesco subiam, 0,64%, enquanto os do Banco do Brasil e do Itaú Unibanco caíam 0,48% e 0,62%, respectivamente.



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