Economia & Negócios

Ibovespa cai 2% após notícia de que Sergio Moro pediu demissão; dólar sobe para R$ 5,48

23/04/2020


Imagem ilustrativa

Infomoney

Após ficar bastante volátil com notícias envolvendo o remédio Remdesivir, da Gilead Sciences, o Ibovespa passou a cair mais de 2% com a informação do jornal Folha de S. Paulo de que o ministro da Justiça, Sergio Moro, pediu demissão após ser informado pelo presidente Jair Bolsonaro de que pretende trocar a diretoria-geral da Polícia Federal, hoje ocupada por Maurício Valeixo.

Segundo o jornal, Bolsonaro informou o ministro que a mudança deve ocorrer nos próximos dias, o que levou ao pedido de demissão por parte de Moro. Apesar disso, a Folha destaca que o presidente está tentando reverter a situação. A informação também foi confirmada pelo Estadão.

Às 15h (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira registrava queda de 1,82%, aos 79.220 pontos – após chegar a cair 2,4% -, enquanto o dólar comercial avança 1,47%, cotado a R$ 5,4876 na compra e R$ 5,4889 na venda. Já o dólar futuro para maio sobe 0,04%, a R$ 5,466.

Em entrevista para Bloomberg, Jefferson Lima, gerente da mesa de juros e câmbio da CM Capital Markets, afirmou que a notícia do pedido de demissão de Moro pesa porque a impressão que fica no mercado é que estão “perdendo os pilares que dava popularidade para o governo”.

Segundo o G1, Moro, ao ser informado da troca na PF, demonstrou perplexidade uma vez que Valeixo é um nome de sua confiança e um dos policiais mais respeitados da instituição. As ameaças de Bolsonaro em trocar a diretoria-geral tem ocorrido desde o ano passado.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe 7 pontos-base, a 3,32%, enquanto o DI para janeiro de 2023 tem alta de 7 pontos, para 4,36%. O contrato para janeiro de 2025 avança 8 pontos-base a 6,04%.

Pouco antes da notícia, o Ibovespa já havia virado para queda com a notícia do Financial Times, citando documentos publicados acidentalmente pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que o antiviral Remdesivir não melhorou a condição dos pacientes nem reduziu o patógeno do coronavírus na corrente sanguínea.

Na semana passada, informações de que a empresa estaria registrando bons resultados em seus testes de tratamento fizeram as ações da Gilead dispararem mais de 15%, puxando também as bolsas.

A notícia fez com que os índices americanos zerassem os ganhos, que momentos antes eram de cerca de 1%. O movimento, porém, foi revertido novamente após a companhia prestar esclarecimentos sobre a notícia.

Em resposta, a Gilead afirmou ao jornal que o documento vazado tinha “caracterizações inadequadas do estudo”. “Os resultados do estudo são inconclusivos, embora as tendências nos dados sugiram um potencial benefício do Remdesivir, principalmente entre pacientes tratados no início da doença”, informou a empresa ao jornal.

 


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