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Glenn Greenwald deixa ‘The Intercept’ e diz que foi censurado em artigo sobre Joe Biden

29/10/2020


O jornalista Glenn Greenwald

Brasil 247



O jornalista americano Glenn Greenwald, co-fundador do site The Intercept, anunciou nesta quinta-feira (29) que deixará a publicação, após a censura de um artigo seu criticando Joe Biden, candidato do Partido Democrata à presidência dos EUA.

Em nota publicada no Substack, plataforma que suporta boletins de assinatura e que servirá como veículo onde publicará seu jornalismo por enquanto, Greenwald criticou a postura dos editores do Intercept.

“A causa final e precipitante é que os editores do The Intercept, em violação do meu direito contratual de liberdade editorial, censuraram um artigo que escrevi esta semana, recusando-se a publicá-lo a menos que eu removesse todas as seções críticas ao candidato democrata à presidência Joe Biden, o candidato apoiado veementemente por todos os editores da Intercept de Nova York envolvidos neste esforço de supressão”, disse o jornalista.

O artigo em questão ainda não foi publicado, mas segundo a nota ele tratava sobre “conduta questionável” de Biden com base nos emails recentemente vazados.

Em seu Twitter, Glenn acrescentou: “As mesmas tendências de repressão, censura e homogeneidade ideológica que assolam a imprensa nacional geralmente engolfaram o meio de comunicação que eu co-fundei, culminando na censura de meus próprios artigos”.

Glenn Greenwald é um dos jornalistas mais importantes do mundo. Em junho de 2013, através do jornal britânico The Guardian, Greenwald revelou as denúncias de Edward Snowden sobre a existência dos programas secretos de vigilância global dos Estados Unidos, efetuados pela sua Agência de Segurança Nacional (NSA). Greewald revelou que grandes empresas como a Petrobrás e a então presidente do Brasil, Dilma Rousseff, foram espionadas pelo governo americano.

Em 2019, junto com jornalistas do The Intercept Brasil e de outros veículos brasileiros, Glenn Greenwald publicou diversas reportagens apontando ilegalidades da operação Lava Jato, e envolvendo procuradores do Ministério Público Federal de Curitiba e o então juiz Sérgio Moro, na série conhecida como Vaza Jato. As revelações foram feitas a partir de vazamentos de conversas dos procuradores da Força Tarefa da Lava Jato e deixaram escancaradas as manobras ilegais cometidas pela Lava Jato, especialmente na acusação e condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


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