Brasil & Mundo

Frei Anastácio diz que morte de Dom e Bruno é fruto da impunidade, desmonte da FUNAI e fiscalização do IBAMA 


20/06/2022



O deputado federal Frei Anastácio (PT/PB) disse em pronunciamento na Câmara Federal que as mortes brutais do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, que chocaram o Brasil e o mundo, com semelhança às atrocidades nazistas, são fruto do desmonte que o governo Bolsonaro realizou na FUNAI e na fiscalização do IBAMA, além da impunidade incentivada pelo governo.

 “Essa tragédia anunciada vinha sendo denunciada e nada foi feito para impedir, assim como em relação aos assassinatos de outras 19 pessoas na Amazônia. Além disso, existem denúncias dos indígenas, feitas em reuniões no Congresso, sobre espancamentos e estupros que não são apuradas. Os povos indígenas nunca sofreram tanto como nesse governo. O caso de Dom e Bruno só está sendo apurado, diante da pressão nacional e internacional”, denunciou.

O parlamentar relatou que no governo Bolsonaro, houve um grande avanço da pesca ilegal, dos madeireiros, garimpeiros e grileiros. “Livres de punição, esses criminosos avançam, porque o governo abriu as ‘porteiras’ para essas ilegalidades, principalmente, nas terras indígenas. Segundo o relatório anual da Comissão Pastoral da Terra, das 19 pessoas assassinadas nos conflitos de terra no Brasil, 15 foram na Amazônia. Isso sem contar com Bruno e Dom Philips”, informou.

Impunidade 

O deputado ressaltou que o relatório da CPT mostra ainda que a maioria desses mortos foi de indígenas, e ninguém foi punido pelos crimes.  “A impunidade na região é grande. Além das mortes, há relatos feitos pelos próprios indígenas, no Congresso Nacional, que há espancamentos e estupros nas aldeias, inclusive de crianças. Eu acompanhei esses depoimentos feitos por lideranças durante reunião no Ministério da Justiça”, afirmou.

Frei Anastácio cobrou dos órgãos governamentais levar segurança para aquela região. “É preciso um aprofundamento nas investigações da morte de Dom e de Bruno. A Polícia Federal não pode encerrar o caso, simplesmente, dizendo que não há mandantes. A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari já vinha denunciando a situação de violência, ameaças e pedindo providências. Mas, infelizmente, nada foi feito para evitar essa tragédia, assim como aconteceu com tantas outras mortes que clamam por justiça. Bruno e Dom, presentes”, concluiu.



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