Saúde

Especialistas testam novo medicamento, menos tóxico, contra doença de Chagas

Pesquisa


04/03/2013

 Um grupo de pesquisadores espanhóis e bolivianos trabalha em um novo medicamento, menos tóxico, contra a doença de Chagas, um mal original da América Latina que afeta cerca de 10 milhões de pessoas. A doença, que é transmitida através de um parasita, provoca problemas cardíacos e digestivos, e atualmente só é possível tratá-la com dois remédios com muitos efeitos colaterais.

O diretor de Doenças Tropicais Desatendidas do Instituto Saúde Global, Joaquim Gascón, explicou à Agência Efe que o teste do novo remédio, denominado "E1224", se encontra em fase experimental – ou seja, já é testado em pessoas- na Bolívia. Gascón disse que no final deste ano, e se os testes tiverem um resultado positivo, espera contar já com um novo remédio que permita tratar a doença em menos tempo (atualmente os pacientes necessitam serem medicados durante dois meses), e que seja efetivo tanto na fase inicial como na avançada da doença, e com menos efeitos adversos.

A doença de Chagas é considerada silenciosa, porque é possível que uma pessoa passe 20 anos sem desenvolver os primeiros sintomas, e esquecida, porque desde os anos 60 não se desenvolvem novos remédios para tratá-la. Esta doença tropical é produzida por um parasita, o Trypanosoma Cruzi. Ele está presente no barbeiro, um inseto que se infectado, ao picar uma pessoa, transmite a doença. Além da picada, outras formas de contrair a doença é através de transfusões de sangue e transplantes de órgãos de pessoas infectadas, assim como de mães para filhos durante a gravidez.

A maior incidência da doença é nos países latino-americanos, onde há cerca de oito milhões de pessoas infectadas, especialmente na Bolívia, onde 10% da população sofre com a doença e em algumas zonas rurais, a porcentagem chega a 60%, afirmou à Agência Efe o catedrático de Parasitologia da Universidade Maior de San Simón de Cochabamba (Bolívia), Faustino Farrico. No entanto, a imigração provocou que também fossem registrados casos na Europa, e na Espanha, calcula-se que haja entre 50 mil e 70 mil pessoas infectadas.

Os fármacos atuais para tratar a doença provocam efeitos colaterais, como problemas no sistema nervoso e erupções cutâneas, por isso que "10% dos pacientes têm que abandonar o tratamento", disse Gascón, que também dirige a seção de Medicina Tropical do Hospital Clínic de Barcelona. Além disso, os remédios que são utilizados na atualidade são eficazes no início da doença, mas não há evidências científicas de que sejam quando a doença já está mais desenvolvida.

A doença de Chagas apresenta, além disso, outra dificuldade, que consiste em ter o diagnóstico certo, já que os sintomas são pouco específicos e podem ser confundidos com outras doenças. "Inclusive, frequentemente os médicos acham que não se pode fazer nada contra o Chagas e esperam que os doentes desenvolvam os primeiros sintomas para tratá-los", afirmou Farrico.

Segundo os especialistas, já houve vários avanços na prevenção da doença, já que foram reduzidos os focos e há um controle nos doadores de sangue e de órgãos, embora a cada ano haja 50 mil novos casos de doença de Chagas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).



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