Educação

Em 22 anos, percentual de pessoas com nível superior completo quase triplica na Paraíba, aponta Censo 2022

Enquanto isso, no mesmo período, a proporção de pessoas sem instrução ou com o ensino fundamental incompleto caiu de 73,6% para 47,5%.


26/02/2025

(Foto: Reprodução)

Portal WSCOM



Na Paraíba, considerando a população com 25 anos ou mais de idade, a proporção de pessoas com nível superior quase triplicou entre 2000 e 2022, passando de 5,3% para 14,5%, um crescimento de 9,2 pontos percentuais (p.p.). Entretanto, o indicador paraibano para 2022 (14,5%) ficou abaixo da média brasileira (18,4%), sendo o 8º menor do país. Por outro lado, ficou acima da média nordestina (13,0%), o 3º maior da região, abaixo apenas dos valores observados no Rio Grande do Norte (15,1%) e em Sergipe (14,9%).

As informações, divulgadas nesta quarta-feira (26), pelo IBGE, constam do volume Censo Demográfico 2022: Educação: Resultados preliminares da amostra. Com essa divulgação, aprofunda-se a caracterização da educação e da instrução da população brasileira, complementando o panorama inicial trazido pelo volume Censo Demográfico 2022: Alfabetização: Resultados do universo, que mostrou um aumento da alfabetização no estado.

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De forma geral, a pesquisa mostra que, no período de 22 anos, houve uma melhora significativa no nível de instrução da população paraibana, com queda acentuada no percentual de pessoas sem instrução ou sem concluir o ensino fundamental, que caiu de 73,6% em 2000 para 47,5% em 2022; aumento considerável, de 11,2% para 26,3%, na proporção de pessoas com nível “médio completo ou superior incompleto”; enquanto a parcela da população com “Fundamental completo e médio incompleto” passou de 8,1% para 11,7%.

Apesar desse quadro geral de melhora, em 2022, a proporção estadual de pessoas sem instrução ou sem concluir o ensino fundamental foi a 3ª maior do país, inferior apenas às obtidas por Alagoas (48,4%) e pelo Piauí (49,1%). Além disso, ficou acima tanto da média nacional (35,2%) como da regional (45,2%).

Frequência escolar de crianças de 0 a 5 anos cresce na Paraíba, mas permanece abaixo das metas do PNE

No período de 22 anos entre os censos de 2000 e 2022, na Paraíba, a taxa de frequência escolar bruta das crianças com 0 a 3 anos de idade subiu 21,6 pontos percentuais (de 8,9% para 30,5%). Já entre as crianças com idade de 4 a 5 anos, o crescimento da taxa foi de 27,9 pontos percentuais (de 61,2% para 89,1%). Porém, como lembra a analista Juliana Queiroz, “a meta 1 do Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece como objetivos a universalização da educação infantil na pré-escola para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade e a ampliação da oferta de educação infantil em creches de forma a atender, no mínimo, 50% das crianças de até 3 (três) anos”.

A pesquisa apurou que no grupo de idade entre 6 e 14 anos, cuja escolarização já estava relativamente mais próxima da universalização, a taxa de frequência escolar bruta também avançou (5,4 p.p.), passando de 93,1% em 2000, para 98,5% em 2022. Por sua vez, entre os jovens de 15 a 17 anos, foi observada uma elevação de 10,6 p.p. na taxa, que subiu de 74,8% para 85,4%, respectivamente. Para essa faixa de 15 a 17 anos, o PNE, em sua Meta 3, estabelece como objetivo a universalização do atendimento escolar.

Diferentemente dos avanços observados nos grupos etários mais jovens, foi constatado um recuo de 4,6 p.p. na taxa bruta de frequência escolar dos jovens com idade entre 18 e 24 anos, que caiu de 33,7% para 29,1% entre 2000 e 2022. Para Juliana Queiroz, “esse resultado se deve à redução da parcela de jovens dessa faixa etária frequentando ensino médio ou níveis anteriores”.

Nível de instrução das mulheres, na Paraíba, é superior ao dos homens em todas as faixas etárias

Desagregando por sexo as informações sobre nível de instrução, observa-se que as mulheres tinham, em 2022, em média, melhor nível de instrução do que os homens. Entre as mulheres com 25 anos ou mais, 17% tinham nível superior completo, proporção que entre os homens da mesma faixa etária era de apenas 11,7%. Já a proporção da população com 25 anos ou mais sem instrução e com fundamental incompleto era de 51,9% entre os homens e 43,6% entre as mulheres.

Um outro indicador que revela a superioridade do nível de instrução da população feminina relativamente à masculina é o número médio de anos de estudo. Entre os residentes na Paraíba com 20 anos ou mais de idade, as mulheres apresentam uma média de anos de estudo maior que a dos homens em todas as faixas etárias. Note-se que, na Paraíba, a amplitude da diferença da média de anos de estudos em favor das mulheres é maior entre a população com idade entre 25 e 64 anos, faixa em que varia entre 1,2 e 1,7 anos, passando a oscilar entre 0,8 e 1,1 anos nas faixas etárias mais velhas.

Na Paraíba, mulheres e brancos eram maioria entre as pessoas graduadas

Em 2022, a Paraíba tinha 390.742 pessoas graduadas nas diversas áreas de formação, entre as quais 243.521 (62,3%) eram mulheres e 147.221 (37,7%) eram homens. A desagregação desse contingente total pelo critério de cor ou raça evidencia a seguinte distribuição: 48,7% (190.400 pessoas) eram de brancas, 44,4% (173.318) eram pardas, 6,3% (24.479) eram pretas, 0,42% (1.628) eram indígenas e 0,22% (858) eram amarelas. Em todos esses grupos étnicos, as mulheres eram maioria entre as pessoas com curso superior concluído.

As áreas de formação com maior representatividade na Paraíba eram as de Negócios, administração e direito, com 100.949 (25,8%) dos graduados; Saúde e bem-estar, com 81.919 (21,0%); e Educação, 64.911 (16,6%). A distribuição da população entre as diferentes áreas detalhadas dos cursos de graduação concluídos mostra que, na Paraíba, havia 40.032 pessoas graduadas em Direito, das quais 21.150 (52,8%) eram homens e 18.882 (47,2%) eram mulheres. Já entre as 10.428 pessoas formadas em Serviço social, as mulheres eram largamente majoritárias (93,1%), enquanto os homens correspondiam a apenas 6,9%.

Havia ainda 8.661 graduados em Medicina, o que significa que, no estado, havia 458,9 moradores para cada pessoa com curso de graduação concluído em medicina. Entre os formados em Medicina, a maioria (53,7%) era do sexo feminino (4.651 pessoas), enquanto 46,3% (4.010 pessoas) eram do sexo masculino.

Na PB, de 2000 a 2022, percentual de pretos com nível superior cresceu mais de cinco vezes

“Comparando os resultados de 2022 com operações censitárias anteriores, nota-se que o aumento da proporção de pessoas com nível superior ocorreu para todos os grupos de cor ou raça”, observa Bruno Perez, um dos analistas deste módulo do Censo 2022.
Em 2000, na Paraíba, a proporção da população branca com 25 anos ou mais que tinha nível superior era de 8,3% (55.180 pessoas), 2,8 vezes superior ao verificado na população de cor ou raça parda (3,0%; 24.517 pessoas) e 4,4 vezes maior que o observado na população preta (1,9%; 1.381 pessoas).

De 2000 para 2022, essas proporções se elevaram 2,4 vezes para a população branca (20,2%; 180.861 pessoas), 3,9 vezes para as pessoas de cor ou raça parda (11,7%; 163.683 pessoas) e 5,2 vezes para a população preta (9,9%; 23.194 pessoas). Porém, mesmo com os avanços ocorridos, a proporção da população branca graduada permanece largamente superior às proporções correspondentes às pessoas de cor ou raça parda (1,7 vez) e preta (2,0 vezes).



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