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Elize responde perguntas de juiz sobre assassinato de Matsunaga


30/01/2013

 A bacharel em direito Elize Matsunaga foi ouvida na tarde desta quarta-feira (30) pela Justiça no processo que responde pela morte do marido, o empresário Marcos Matsunaga, executivo da Yoki.

Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Elize respondeu apenas a perguntas feitas pelo juiz Adilson Paukoski Simoni e chorou em alguns momentos. O interrogatório terminou depois das 16h.

O TJ-SP informou que Elize optou por se manter em silêncio quando foi questionada pelo promotor José Carlos Cosenzo e também pelo advogado assistente de acusação. O defensor de Elize, Luciano Santoro, não fez perguntas.

A ré confessa está presa preventivamente no presídio de Tremembé, interior de São Paulo. O crime foi cometido em 19 de maio de 2012 no apartamento onde o casal morava com a filha de um ano, na Zona Oeste da capital paulista.

Também nesta quarta-feira foi tomado o depoimento de Nathalia Vila Real Lima, amante de Marcos. Realizado no período da manhã, o interrogatório foi marcado pela divergência entre os advogados sobre a profissão da testemunha.

Anúncio em site
Os defensores de Elize afirmam que Nathalia trabalhava como garota de programa. Eles apresentaram fotos da amante de Marcos em um site de acompanhantes.

O advogado Roberto Parentoni, que representa Nathalia, diz que ela é modelo, não trabalhou como prostituta e tinha um relacionamento amoroso com o executivo da Yoki. Em seu primeiro depoimento, em junho de 2012, Nathalia chegou a afirmar para a Polícia Civil que trabalhava como acompanhante de executivos e que conheceu Marcos na internet. Depois, retificou a declaração.

Nathalia foi questionada pelo advogado de Elize, Luciano Santoro, sobre as supostas contradições em suas declarações. Santoro usou a reprodução do que ele afirma ser o anúncio de Nathalia no site MClass. Na época, ela utilizava o apelido "Lara", segundo o defensor.

Após a audiência, o advogado de Nathalia rebateu afirmando que a modelo chorou ao ser confrontada com o anúncio. "Ela chorou bastante, não só por relembrar tudo que ela passou, mas também pela forma que ela foi tratada pela defesa", disse.

Segundo ele, as fotos foram publicadas no site sem autorização. Ele disse ainda que, durante o interrogatório, a defesa tentou desqualificar sua cliente.

"A tentativa de prova foram fotos desse site (MClass), só que antes de apresentarem as fotos, nós já havíamos notificado o site para tirar", disse. "Elas foram colocadas sem a autorização da Nathalia", disse Roberto Parentoni. O advogado nega que ela tenha trabalhado como prostituta.

Para Parentoni, a defesa "deu um tiro no pé" ao tentar provar que Nathalia atuava como prostituta. "Em 22 anos de profissão, eu nunca vi isso", disse. "Infelizmente a gente vê que a mulher às vezes é malvista, mal-interpretada por situações. Se é machismo, eu não sei", disse.

Em seu depoimento, de acordo com Parentoni, Nathalia confirmou que estava como Marcos no dia anterior ao crime. Ela negou ter sido presenteada por Marcos com um carro e que somente recebeu apoio para blindar o veículo.

Terceira pessoa
Pela manhã, ao chegar ao fórum, o promotor José Carlos Cosenzo reafirmou ainda a tese da existência de uma terceira pessoa na cena do crime. "A certeza material nós temos, agora cabe ao Ministério Público e à polícia identificar essa pessoa.Temos um rol grande de suspeição, mas ele está se afunilando”, afirmou. De acordo com o promotor, o prédio que que moravam Marcos e Elize permite a saída de pessoas sem o registro pelas câmeras de segurança.

Também na entrada do Fórum da Barra Funda, o advogado de Elize, Luciano Santoro, afirmou, antes de entrar na sala de audiência, que a sua cliente foi orientada a falar a verdade. “Ela está ansiosa para falar”, disse.

Audiência de instrução
A etapa do processo realizada nesta quarta, chamada de audiência de instrução, servirá para o magistrado determinar nos próximos dias se há indícios suficientes para a acusada ser submetida a julgamento popular pelo crime.

Antes de se casar com Marcos, Elize trabalhou como prostituta. O empresário foi um de seus clientes e a conheceu por meio do site MClass. Em entrevista ao Fantástico, Nathalia afirmou que é modelo e negou ter conhecido Marcos na condição de garota de programa.

Em um depoimento ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), em junho, tinha falado que trabalhava como acompanhante de executivos e que conheceu Marcos na internet.

Elize
A defesa de Elize havia antecipado que ela iria sustentar na audiência que o crime foi passional e que ela agiu sozinha ao reagir a uma agressão de Marcos.

Na versão de Elize, ela revelou ao marido que pagou um detetive particular para flagrar a infidelidade dele com uma prostituta. Depois, Marcos a xingou, ameaçou tirar a guarda da criança dela, e matá-la caso fugisse com a menina. Pela primeira vez no relacionamento, ele deu um tapa no seu rosto. Em seguida, a bacharel pegou uma arma e atirou na cabeça do executivo, depois usou uma faca para cortar seu corpo, colocando as partes em sacos plásticos dentro de malas, jogando-as na Grande São Paulo. Os pedaços foram encontrados no dia 27 de maio.

A viúva, que inicialmente negava a autoria do crime, confessou o assassinato e está presa desde 5 de junho. Atualmente está detida preventivamente em Tremembé, interior de São Paulo.

O Ministério Público discorda da defesa: diz que a mulher matou o empresário para ficar com o dinheiro da herança e do seguro de vida dele e que o crime foi premeditado. A Promotoria chegou inclusive a pedir a instauração de um novo inquérito policial para investigar a suspeita de que outra pessoa teria ajudado a bacharel no assassinato.

Para Cosenzo, Elize tem de ser condenada a 30 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado – motivo torpe (vingança movida por dinheiro), utilização de recurso que impossibilitou a defesa da vítima e meio cruel (esquartejamento).

Marcos tinha 41 anos quando foi morto. A filha do casal ainda não viu Elize desde que ela foi presa. Apesar de não ter perdido a guarda da criança, não pode ver a menina na cadeia. A Justiça concedeu aos avós paternos a guarda provisória.



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