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Esporte

13/10/2019


De azarão a campeão no Mundial de Ginástica: Arthur Nory se vê em novo patamar rumo à Olimpíada

Medalhista olímpico do solo como franco-atirador, ginasta passa à condição de favorito na barra fixa e destaca trabalho mental: "Era um objetivo ser campeão mundial".

Arthur Nory se tornou campeão mundial da barra fixa no Mundial de Ginástica. (Foto: Ricardo Bufolin/Panamerica Press/CBG)

O ouro no peito pesa para Arthur Nory. O ginasta de 26 anos entrou para o um seleto hall de campeões mundiais neste domingo e encerrou um jejum de seis anos sem um ouro para o Brasil em Mundiais. E desta vez o cenário foi bem diferente daquele da Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, quando foi azarão na final do solo e arrancou um bronze. Em Stuttgart, Arthur Nory entrou como um favorito na barra fixa. Soube lidar com a pressão para crescer no momento decisivo e faturar o título.

(Foto: Ricardo Bufolin/Panamerica Press/CBG)

“Agora eu sou um ‘contender’ (candidato à medalha). Foi muito um trabalho psicológico. Conversei com meu técnico Batata (Hilton Dichelli), que ficou no Brasil, e com a psicóloga, a Carla. Cheguei sempre de azarão às finais, sem expectativa. Aqui vim com uma expectativa grande. Foi um trabalho que a gente teve de mudar, na cabeça, na respiração, todo esse trabalho mental para chegar aqui tranquilo e fazer o meu trabalho, fazer o meu melhor, minha melhor série”, disse Nory.

Apesar de ter se classificado para a decisão na quarta posição, o brasileiro havia apresentado a segunda maior nota de partida entre os finalistas. Com 6,3 pontos de dificuldade, ele só ficava atrás de Lin Chaopan, com 6,5 pontos. Na final, o chinês falhou e ficou com 6,2 de dificuldade. Nory manteve a concentração, fez sua série de 6,3 de dificuldade com voos precisos para também ter a maior nota de execução da disputa: 8,600. A nota 14,900 foi a maior do brasileiro na temporada, justamente no momento mais decisivo.

“Era um sonho meu, era um objetivo ser campeão mundial. Vim trabalhando o ano inteiro pensando nesse Mundial. Ah, não está bom para essa competição, mas vamos focar no Mundial. Estava tão focado nesse Mundial, para essa final, para esse momento que aconteceu, deu tudo certo. É o trabalho de um equipe enorme. Fui quarto do mundo em 2015 e comecei a trabalhar bastante para evoluir. Isso é um trabalho a longo prazo, e o foco maior é Tóquio 2020”, disse o novo campeão mundial.

Em um novo patamar, Nory agora desponta como um forte candidato ao pódio na barra fixa da Olimpíada. A série de 6,3 pontos de dificuldade já está bem encaixada, mas o ginasta treina uma rotina com nota de partida ainda maior. Ele chegou a fazer um teste dessa série no Campeonato Brasileiro de agosto, mas sofreu uma queda. Era uma carta na manga que nem precisou ser lançada no Mundial de Stuttgart. Agora Nory vai ter nove meses para afinar a nova série e continuar como um favorito em Tóquio.

– Já recebi pressão do meu técnico (Cristiano Albino) que já está pensando em outra série, porque a gente vai continuar o trabalho. Visando sempre minha saúde em primeiro lugar, porque tenho que estar saudável. Cheguei aos trancos e barrancos. Meu ombro estava comprometido, mas foquei em ajudar a equipe. Estou muito contente. Vou voltar ao Brasil e recuperar para em 2020 estar arrasando.

Em Stuttgart, O Brasil classificou a equipe masculina ao termina em 10º lugar na disputa por times. Assim, o país vai poder levar aos Jogos de Tóquio quatro ginastas – ainda é possível garantir até mais dois ginastas extras. Agora campeão mundial, Arthur Nory desponta como favorito a uma dessas vagas da equipe verde-amarela.

Por Globoesporte.com

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