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Somos força, somos muitas, somos luta


09/03/2021

ILUSTRAÇÃO: PETRA ERIKSSON / EPS

A semana é marcada pelo Dia Internacional da Mulher, e retirando completamente o véu do romantismo, nos sobra a grande força política deste momento. Não nos limitamos ao 8 de março para evidenciarmos todas as nossas conquistas e avanços. Mas aproveitamos a oportunidade para, acima de tudo, ressaltar a manutenção das injustiças, desigualdades e violências às quais estamos expostas todos os dias.

Ao tempo em que enfrentamos uma pandemia brutal, sofremos também um frágil progresso em relação à igualdade de gênero, especialmente no Brasil. A ascensão de lideranças políticas autoritárias que pregam o machismo, sexismo e a misoginia reflete, sobretudo, no crescente número de casos de violência doméstica e do próprio feminicídio. As circunstâncias atuais impostas pela pandemia têm colocado as mulheres à mercê do seu agressor. E assim, como um pacto perfeito, o Brasil vai perpetuando um vírus difícil de eliminar.

Sim, nós estamos cansadas de reafirmar o óbvio todos os dias. Duvidam da nossa competência, falam que somos loucas, não respeitam nossas escolhas, não enxergam nossos sacrifícios. Não estamos nos grandes postos de decisão, e apesar de sermos 52% do eleitorado brasileiro, a representatividade feminina na política segue a passos lentos. Para se ter ideia, a composição dos quadros de parlamentares no país é de apenas 15% de mulheres.

A jornada daquelas que se arriscam e fogem do padrão normativo estabelecido por uma sociedade patriarcal é de um longo e constante processo de autoafirmação. São muitos os gargalos enfrentados para que obtenhamos o protagonismo feminino e para que nossas vozes tenham a mesma importância e relevância na política e em todos os campos sociais e humanos. Somos constantemente chamadas à luta e a ressignificação. E certamente, sem respeito às nossas vidas, escolhas, corpo e mente, não existe presente e futuro minimamente civilizado.

Não podemos esquecer as mulheres que estão na linha de frente de combate ao coronavírus. Segundo uma análise feita pela ONU no final do ano passado, sete de cada dez profissionais sanitários e cuidadores são mulheres. Do outro lado da trincheira, as mulheres são maioria na economia informal e são as que vivem circunstâncias trabalhistas mais precarizadas. São também as mulheres que enfrentam duplas e triplas jornadas que envolvem dedicação às tarefas de casa, como limpeza, cuidados e educação dos filhos ou demais familiares.

Apesar da sensação generalizada de retrocesso, não podemos sucumbir. Precisamos ocupar todos os espaços e reafirmar em alto e bom som os nossos desejos e ideais. Somos diversas sim e com múltiplas identidades e realidades, mas precisamos – unidas – estar em constante expansão e atuação. E mesmo com diferenças e divergências advindas de tantas histórias únicas e díspares, a luta por nossos direitos deve sempre imperar. Somos força, somos muitas, somos luta. Viva a todas as mulheres brasileiras!

Por Anne Nunes – Formada em Comunicação Social pela UFPB, possui Especialização em Comunicação e Marketing Político e MBA em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais.

 

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