Geral

Se eu fosse Papai Noel

11/12/2017


Foto: autor desconhecido.

 

 

Se eu fosse Papai Noel não ficaria esperando cartinhas pedindo presentes. Até porque eu teria consciência do que cada um precisava. Então iria procurar atender a necessidade de todo mundo. Seria o bom velhinho que chega no momento preciso, na hora da carência, no instante da aflição, da agonia. Sendo pai, me sentiria na obrigação de satisfazer as demandas dos filhos.

O mundo contemporâneo não quer mais que Papai Noel chegue com um saco cheio de presentes.Quer que ele apareça trazendo confiança em dias melhores, fortalecendo o ânimo para enfrentar as dificuldades, alimentando esperanças.

Se eu fosse Papai Noel acabaria com as guerras, combateria a miséria, alimentaria a fé, estimularia o espírito de fraternidade. Vestindo a roupa vermelha (sem qualquer conotação ideológica ou política), eu convenceria as pessoas a deixarem o egoísmo de lado e passarem a pensar de forma mais efetiva no estabelecimento de uma boa convivência com o próximo.

Se eu fosse Papai Noel não perderia tempo em visitar só as casas dos ricos na distribuição de presentes. Me sentiria mais a vontade nos lares da pobreza. Mas me faria presente na Noite de Natal, também nos ambientes em que a festa se colocasse como um evento de opulência. Eu seria mais um na confraternização. Sem assumir o papel de presenteador, mas de promotor da concórdia, da alegria de acreditar no amanhã. Seria o condutor de um caminho de paz, desfazendo as diferenças, propondo a igualdade entre os seres humanos.

Não fugiria das casas ricas. Ali eu me estabeleceria como o elemento que chamaria a atenção dos seus moradores para a situação de privilégio em que vivem, em detrimento de tantos outros que sofrem a desconsideração social, a marginalização política, o desprezo dos que estão no poder. Procuraria despertar o sentimento de igualdade, de equiparação nos deveres e direitos de todos, sem distinção. Eu colocaria no coração dos egoístas a semente da concórdia, renegando a exploração, a opressão, a tirania. Eu faria desaparecer o ódio, a inveja, a ambição desmedida dos seres humanos.

Ah, se eu fosse Papai Noel, pelo menos por um dia. Procuraria mudar o mundo. Faria do Natal realmente uma comemoração do nascimento do filho de Deus, não um festejo profano onde prevalece a hipocrisia e a falsidade. As luzes da Noite de Natal iluminariam, antes de qualquer coisa, a consciência em cada um de nós, no sentido de que a vida tem o significado igual para todos. Queria ser um Papai Noel que não distinguisse pobres e ricos, bem nascidos ou predestinados a viver na marginalidade, felizes ou infelizes, burgueses ou favelados. Queria ser um Papai Noel de um novo tempo, produzindo paz, alegria e felicidade, de uma forma geral.
Rui Leitão

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